Tragédia na Zona da Mata deixa 72 mortos e buscas estão encerradas

Tragédia na Zona da Mata deixa 72 mortos e buscas estão encerradas
Deslizamentos isolam moradores e expõem risco permanente/Rovena Rosa/Agência Brasil
Publicado em 02/03/2026 às 7:30

Da redação de LexLegal

A Polícia Civil de Minas Gerais encerrou as buscas por vítimas das chuvas em Juiz de Fora após a localização do corpo do menino Pietro, de 9 anos, no bairro Paineiras, na noite de sábado (28). Com isso, o número de mortos chegou a 72, segundo balanço divulgado neste domingo (1º).

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Dos corpos encaminhados ao Instituto Médico Legal, 65 são de Juiz de Fora e de Ubá. Em Ubá, uma pessoa segue desaparecida, e as buscas continuam concentradas no município da Zona da Mata mineira.

No bairro Paineiras, área de classe média com casarões antigos e prédios residenciais, famílias permanecem fora de casa desde o deslizamento ocorrido na noite de segunda-feira (24). A Defesa Civil determinou a evacuação diante do risco de novos desmoronamentos na encosta do Morro do Cristo.

Morador da rua atingida, o engenheiro civil Guilherme Belini Golver vive em um casarão com os pais. Ele não estava em casa no momento do deslizamento, mas descreveu a cena ainda durante o temporal: “Quando eu saí, já havia muita água, parecia um rio, de cor assim, amarronzada. Tava igualzinho um rio”.

Guilherme havia saído por volta das 22h10 para buscar a filha na faculdade. Cerca de 20 minutos depois, recebeu uma ligação de um vizinho: “Quando ele chegou aqui fora, já estava essa tragédia toda. A terra invadindo a casa, dentro do portão, da garagem”.

Desde então, a família não conseguiu retornar ao imóvel. “A Defesa Civil pediu para a gente sair porque não se sabe a gravidade, né? Não sabe se pode vir mais alguma coisa lá do Morro do Cristo.”

Ele relata que volta apenas para limpar a lama e vigiar a casa, que ficou vulnerável após o impacto. “Limpar, tentar acabar com esse lamaçal. E também ficar de olho na casa, que ficou vulnerável. Ficou aberta, a gente perdeu a tranca.”

O engenheiro lembra que pequenos deslizamentos já haviam ocorrido há cerca de 40 anos, o que levou à instalação de contenções. “Mas isso há 40 anos, não foram pedras grandes. Foram pequenas.” Ainda assim, o temor permanece. “A cabeça da gente fica meio preocupada, aquele medo de acontecer de novo.”

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Na mesma rua, um policial penal que morava no local há cerca de quatro meses morreu durante o deslizamento. A poucos metros dali, três prédios residenciais alugados por uma mesma família também foram atingidos.

Em um dos apartamentos mora o motoboy Paulo Barbosa Siqueira, de 25 anos. Ele estava fora no momento do desabamento, ocorrido por volta das 22h50. “No momento eu tinha ido buscar minha irmã no serviço por causa da chuva. Quando curvei aqui para entrar no prédio, já tinha caído tudo”.

Segundo Paulo, moradores improvisaram rotas de fuga entre os apartamentos para escapar. “Teve gente que pulou de dois apartamentos para poder ir para o outro. Aí a gente fez o caminho. Isso, salvamos todo mundo. Ninguém veio ajudar a gente. Eu e um policial militar que fizemos o caminho para salvar todos.”

Um vizinho que trabalhava como policial penal morreu no episódio. “A gente perdeu um policial do nosso prédio.”

Desde então, os moradores aguardam autorização para entrar nos imóveis e retirar documentos e pertences. O acesso segue interditado por risco estrutural. “A gente quer pegar o básico, documento, roupa. A gente está sem nada, de favor na casa dos outros. A gente está usando roupa dos outros. Sem nada para comer.”

Paulo afirma que ainda não houve um posicionamento formal sobre a situação dos prédios. “Até agora a Defesa não deu um parecer para a gente, nem bombeiro.”

Ele relata dificuldades desde a tragédia. “Desde o dia do acontecimento, eu não como, não consigo comer. Nem dormindo direito a gente está.”

Moradores também denunciam saques durante a madrugada nos imóveis interditados. “Porque de madrugada, quando o pessoal para de trabalhar, estão vindo roubar, saquear nosso prédio.”

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Os deslizamentos no Paineiras ocorreram em dois pontos próximos. Em uma das ruas, com casarões e prédios residenciais, houve danos estruturais e uma morte. Na rua seguinte, equipes de resgate atuaram intensamente após registros de vítimas e desaparecimentos, incluindo o caso do menino encontrado no sábado.

SÃO PAULO WEATHER