Lula defende na Índia que ONU lidere governança global da inteligência artificial

Lula defende na Índia que ONU lidere governança global da inteligência artificial
O presidente Lula durante discurso em Nova Délhi; Brasil cobra regulação da inteligência artificial sob o guarda-chuva da ONU/Ricardo Stuckert/PR
Publicado em 19/02/2026 às 15:30

Da redação de LexLegal

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, nesta quinta-feira (19), que a Organização das Nações Unidas (ONU) assuma o protagonismo na regulação internacional da inteligência artificial (IA). Durante a Cúpula sobre o Impacto da Inteligência Artificial em Nova Délhi, na Índia, Lula pregou um modelo de governança multilateral para evitar que a tecnologia aprofunde as desigualdades entre nações ricas e em desenvolvimento.

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A governança global citada pelo presidente refere-se ao conjunto de regras e normas que devem orientar o uso da tecnologia em todo o planeta. Lula reconheceu iniciativas de grupos menores, como o G7 e propostas da China, mas ressaltou que apenas a ONU possui a universalidade necessária. Para ele, a inovação possui caráter dual: traz ganhos de produtividade na medicina e segurança alimentar, mas também serve como arma para desinformação e crimes digitais.

O discurso focou nos perigos dos algoritmos, que são as sequências de instruções lógicas que fazem a IA funcionar. Segundo o presidente, essas ferramentas não são neutras e podem ser manipuladas para distorcer processos eleitorais com conteúdos falsos. Lula enfatizou que a tecnologia deve fortalecer a soberania nacional e a coesão social, em vez de servir apenas aos interesses de grandes potências tecnológicas.

“Conteúdos falsos manipulados por inteligência artificial distorcem processos eleitorais e põem em risco a democracia. Os algoritmos não são apenas aplicações de códigos matemáticos que sustentam o mundo digital”, afirmou Lula. O presidente defendeu que a regulação garanta que a IA seja uma ferramenta de desenvolvimento para o chamado Sul Global.

O encontro na Índia faz parte do Processo de Bletchley, uma série de reuniões globais iniciada no Reino Unido em 2023 para discutir a segurança cibernética. O Brasil busca se posicionar como um mediador que exige transferência de tecnologia e proteção contra discursos de ódio e pornografia infantil, temas que o governo brasileiro tem levado a fóruns internacionais com frequência.

“A Quarta Revolução Industrial avança rapidamente enquanto o multilateralismo recua perigosamente. É nesse contexto que a governança global da inteligência artificial assume um papel estratégico”, concluiu o presidente. O Brasil defende que cada país tenha autonomia para trilhar sua própria trajetória tecnológica, desde que respeitados princípios éticos universais estabelecidos coletivamente.

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A participação brasileira na cúpula reforça a intenção do país de liderar o debate sobre ética digital no G20 e na ONU. Ao propor que as Nações Unidas coordenem as regras da IA, o governo tenta evitar que a tecnologia seja controlada por um pequeno grupo de empresas ou países, garantindo que os benefícios da automação e do processamento de dados alcancem também as economias emergentes.

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