Poupança perde R$ 23,5 bilhões em janeiro com investidor em busca de juros altos

Poupança perde R$ 23,5 bilhões em janeiro com investidor em busca de juros altos
Saques superam depósitos pelo terceiro ano seguido enquanto Selic trava em 15%/Marcello Casal JrAgência Brasil
Publicado em 18/02/2026 às 16:00

Da redação de LexLegal

A caderneta de poupança iniciou 2026 no vermelho, registrando uma fuga de R$ 23,5 bilhões apenas em janeiro. Segundo relatório do Banco Central, os brasileiros retiraram R$ 354,7 bilhões da aplicação, volume que superou com folga os R$ 331,2 bilhões depositados no período.

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O movimento consolida uma tendência de esvaziamento iniciada nos últimos anos. Em 2023 e 2024, as retiradas líquidas somaram R$ 87,8 bilhões e R$ 15,5 bilhões, respectivamente. No ano passado, o rombo foi ainda mais profundo, atingindo R$ 85,6 bilhões de saldo negativo acumulado.

A principal razão para a debandada é a manutenção da taxa Selic em 15% ao ano. Com os juros básicos elevados, a poupança perde competitividade para outros investimentos de renda fixa que rendem mais. O Banco Central mantém a taxa nesse patamar para tentar segurar a inflação oficial (IPCA), que fechou 2025 em 4,26%.

O Comitê de Política Monetária (Copom) utiliza os juros altos para encarecer o crédito e desestimular o consumo, visando a meta de inflação de 3%. Em dezembro, a pressão nos preços de passagens aéreas e transporte por aplicativo acelerou o índice para 0,33%, sinalizando que o controle de preços ainda exige cautela.

Na última ata do Copom, o BC sinalizou que deve iniciar um ciclo de cortes nos juros na reunião de março. Contudo, a autarquia não informou o tamanho da redução e alertou que as taxas devem continuar em níveis restritivos por algum tempo, o que mantém a poupança sob pressão frente a opções mais rentáveis.

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Mesmo com a onda de saques, a caderneta ainda detém um estoque bilionário. Atualmente, o saldo total aplicado nas contas de poupança no Brasil soma pouco mais de R$ 1 trilhão, contando com os R$ 6,4 bilhões em rendimentos creditados aos poupadores no último mês.

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