Negócios em favelas crescem após pandemia e movimentam R$ 300 bilhões

Negócios em favelas crescem após pandemia e movimentam R$ 300 bilhões
Empreendedores das periferias utilizam redes sociais para ampliar vendas e sustentar a economia local/Divulgação/ONG Viva Rio
Publicado em 05/02/2026 às 16:00

Da redação de LexLegal

Mais da metade dos empreendimentos em favelas brasileiras surgiu a partir de 2020, impulsionada pela crise sanitária e econômica. Dados do instituto Data Favela revelam que 56% desses negócios foram abertos nos últimos quatro anos.

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O levantamento, realizado com mil empreendedores no final de 2025, mostra que a necessidade financeira superou o planejamento formal. A maioria dos donos de negócios iniciou as atividades para garantir a renda básica da família.

“Muitas pessoas perderam seus empregos e precisaram se reinventar e buscar novas formas de manter as necessidades básicas próprias e de sua família”, afirma Cleo Santana, do Data Favela.

A designer Ligia Emanuel da Silva, da Paraíba, exemplifica esse movimento ao criar acessórios baseados na estética africana. Ela utiliza as redes sociais como vitrine para o trabalho manual que desenvolve em território potiguara.

“Quando a gente se adorna com os nossos símbolos, nossos elementos estéticos-culturais, a gente articula um discurso sobre quem somos e de onde viemos”, define a empreendedora.

A pesquisa aponta que 51% dos negócios faturam até R$ 3.040 mensais. Para abrir as portas, 37% dos entrevistados investiram menos de R$ 1.520, utilizando principalmente economias pessoais ou indenizações trabalhistas.

A gestão ainda é rudimentar para a maioria: 59% dos microempreendedores controlam as finanças apenas com anotações em cadernos. O uso de ferramentas digitais cresce, mas 13% admitem que não fazem qualquer registro contábil.

“Os adornos se fundamentam em saberes tradicionais, especialmente com o trabalho manual, com as miçangas e com os arames”, descreve Ligia sobre a produção de suas peças.

A falta de crédito é o principal obstáculo citado por 51% dos empreendedores. O setor de alimentação e bebidas lidera o ranking de atividades, seguido por moda, beleza e artesanato, movimentando a economia interna dos territórios.

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O impacto econômico das comunidades atinge R$ 300 bilhões anuais, segundo o estudo. O Censo aponta que 16,4 milhões de brasileiros vivem em favelas, onde a circulação de recursos locais fortalece a rede de pequenos fornecedores.

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