Brasil atinge recorde de 1.518 feminicídios em dez anos de lei específica

Da redação de LexLegal
O Brasil registrou 1.518 vítimas de feminicídio em 2025, o maior número desde que a lei que tipifica o crime completou uma década. Os dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública superam o recorde anterior, de 1.458 casos em 2024.
Leia também: MPM pede perda de patente de Bolsonaro por violação da ética militar
A violência doméstica e de gênero aparece como uma das violações mais recorrentes no país, segundo relatório da Human Rights Watch. Para especialistas, o crescimento dos assassinatos reflete falhas estruturais na rede de proteção às mulheres.
“Se [a alta de casos] está acontecendo, isso é uma omissão do Estado, porque esse é um crime evitável”, afirmou Samira Bueno, diretora-executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
Ela aponta que a falta de verbas em municípios e estados compromete o trabalho de polícias e da assistência social. A especialista critica a discrepância entre o discurso político e a execução orçamentária efetiva para a área.
“Essa é uma bandeira que muitos políticos gostam de carregar, a defesa da vida das meninas e das mulheres, mas no momento em que tem o poder de caneta, que sentam na cadeira e que tem a capacidade de fazer a diferença, o orçamento não chega”, disse.
Para tentar frear os números, o governo federal, o Congresso e o Judiciário lançaram o Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio. A iniciativa busca coordenar ações de prevenção e disponibilizar canais de denúncia centralizados.
Veja também: Governo oficializa programa para integrar rotas de transporte na América do Sul
O cenário de insegurança ganhou visibilidade com crimes de grande repercussão, como o assassinato de Tainara Souza Santos na Marginal Tietê. O caso reforçou o debate sobre a urgência de medidas concretas de segurança pública.