Copom mantém Selic em 15% e sinaliza início de cortes em março

Copom mantém Selic em 15% e sinaliza início de cortes em março
Banco Central segura juros no maior nível desde 2006 apesar da inflação menor/Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Publicado em 29/01/2026 às 8:30

Da redação de LexLegal

Mesmo com a inflação em queda e o dólar mais comportado, o Banco Central decidiu não alterar os juros. Por unanimidade, o Comitê de Política Monetária manteve a taxa Selic em 15% ao ano, movimento já esperado pelo mercado financeiro.

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Esta é a quinta reunião consecutiva em que os juros básicos permanecem nesse patamar. O nível atual é o mais alto desde julho de 2006, quando a Selic estava em 15,25% ao ano.

No comunicado, o Copom confirmou que pretende iniciar a redução dos juros na reunião de março, desde que o cenário de inflação controlada se mantenha e não haja surpresas relevantes na economia.

“O Comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião, porém reforça que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”, informou o BC.

A decisão foi tomada com o colegiado incompleto. No fim de 2025, terminaram os mandatos dos diretores Renato Gomes, da área de Organização do Sistema Financeiro, e Paulo Pichetti, de Política Econômica. As indicações dos substitutos ainda não foram enviadas ao Senado.

A atual trajetória dos juros começou em setembro de 2024, quando o BC iniciou um ciclo de alta. Após atingir 10,5% ao ano em maio do ano passado, a Selic chegou a 15% na reunião de junho e vem sendo mantida nesse nível desde então.

A Selic é o principal instrumento do Banco Central para controlar a inflação, medida pelo IPCA. Em 2025, o índice ficou em 4,26%, o menor resultado anual desde 2018, dentro do limite máximo da meta contínua.

Pelo novo sistema, em vigor desde janeiro, a meta central é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Assim, a inflação pode variar entre 1,5% e 4,5% ao ano.

Nesse modelo, a verificação é feita mês a mês, com base na inflação acumulada em 12 meses. O resultado deixa de ser analisado apenas no fechamento de dezembro e passa a ser acompanhado de forma contínua ao longo do ano.

No último Relatório de Política Monetária, divulgado em dezembro, o BC reduziu para 3,5% a projeção do IPCA em 2026. O próprio Banco Central informou que esse número deverá ser revisto, em função do comportamento recente do dólar e dos preços.

A próxima edição do relatório, que substituiu o antigo Relatório de Inflação, será divulgada no fim de março. As projeções do mercado são menos favoráveis. Segundo o boletim Focus, a inflação deve fechar 2026 em 4%, ligeiramente acima do teto da meta. Há um mês, a estimativa era de 4,05%.

Juros elevados ajudam a conter a inflação porque encarecem o crédito e reduzem o consumo e os investimentos. Ao mesmo tempo, esse movimento limita o crescimento da economia. No último relatório, o Banco Central aumentou de 1,5% para 1,6% a projeção de expansão do PIB em 2026. O mercado é um pouco mais otimista e projeta crescimento de 1,8%, de acordo com o Focus.

A Selic é usada como referência nas operações com títulos públicos no Sistema Especial de Liquidação e Custódia e influencia todas as demais taxas de juros da economia.

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Quando sobe, o custo do crédito aumenta e o consumo perde força. Quando cai, o financiamento fica mais barato e a atividade econômica tende a ganhar ritmo, desde que a inflação esteja sob controle. Por isso, o Banco Central condiciona qualquer corte na Selic à segurança de que os preços estão estabilizados e não representam risco de retomada da inflação no curto prazo.

SÃO PAULO WEATHER