Escritório de Lewandowski recebeu R$ 5 milhões do Banco Master por consultoria

Da redação de LexLegal
O escritório de advocacia pertencente a Ricardo Lewandowski, ex-ministro da Justiça e do Supremo Tribunal Federal (STF), recebeu pagamentos que totalizam R$ 5 milhões do Banco Master. A prestação de serviços jurídicos ocorreu entre agosto de 2023 e setembro de 2025, período que compreende tanto sua volta à iniciativa privada quanto sua permanência no comando do Ministério da Justiça e Segurança Pública no governo Lula. Segundo informações reveladas pelo portal Metrópoles, o contrato estipulava o repasse mensal de R$ 250 mil à banca do magistrado aposentado.
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A contratação dos serviços de Lewandowski pelo banco controlado por Daniel Vorcaro teria ocorrido por sugestão do senador Jaques Wagner (PT-BA). A assessoria do parlamentar confirmou o episódio, afirmando que ele foi “consultado sobre um bom jurista e lembrou de Ricardo Lewandowski, que havia acabado de deixar o STF. Seguramente, o banco achou a sugestão adequada e o contratou”. O vínculo formal foi estabelecido em 28 de agosto de 2023, poucos meses após o ex-ministro ter deixado a mais alta corte do país e retomado suas atividades profissionais como advogado.
Diante da repercussão dos valores e das datas, a equipe de Lewandowski buscou esclarecer que o exercício da advocacia foi interrompido com o retorno ao serviço público em fevereiro de 2024. Em nota oficial, a assessoria afirmou que “o ministro Ricardo Lewandowski, depois de deixar o Supremo Tribunal Federal (STF), em abril de 2023, retornou às atividades de advocacia. Além de vários outros clientes, prestou serviços de consultoria jurídica ao Banco Master”. O texto ressalta que houve o devido afastamento das atividades privadas assim que ele aceitou o convite para integrar o primeiro escalão do governo federal.
Suspensão do registro profissional
O comunicado oficial reforça que a conduta de Lewandowski seguiu os trâmites éticos exigidos para ocupantes de cargos públicos. De acordo com a assessoria, “ao ser convidado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para assumir o Ministério da Justiça de Segurança Pública, em janeiro de 2024, Lewandowski retirou-se de seu escritório de advocacia e suspendeu o seu registro na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), deixando de atuar em todos os casos”. A defesa pontua que o recebimento de valores após esse período se refere a obrigações contratuais previamente estabelecidas pela estrutura do escritório.
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A divulgação do contrato surge em um momento de atenção sobre as relações entre grandes instituições financeiras e figuras de relevo do cenário jurídico nacional. O Banco Master, que está envolvido em processos de liquidação e investigações sobre ativos fraudulentos, tem em seu histórico a contratação de diversos consultores de alto prestígio. O caso levanta discussões sobre as regras de quarentena e os limites entre a atuação de ex-ministros de tribunais superiores e o exercício do poder no Executivo.