FGC paga R$ 26 bilhões a investidores do Banco Master e atinge dois terços das garantias

FGC paga R$ 26 bilhões a investidores do Banco Master e atinge dois terços das garantias
Selic elevada a 14,75% impulsiona procura por papéis vinculados aos juros básicos/Agência Brasil
Publicado em 24/01/2026 às 8:00

Da redação de LexLegal

O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) informou que já desembolsou R$ 26 bilhões para 521 mil credores do Banco Master até o fim da tarde desta sexta-feira (23). O montante corresponde a 66,4% do total estimado para pagamento das garantias e alcança 67,3% do número de investidores com direito ao ressarcimento, após a liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em novembro de 2025.

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Os pagamentos tiveram início na segunda-feira (19) e ganharam velocidade ao longo da semana, depois de ajustes técnicos que ampliaram a capacidade de processamento dos sistemas do fundo. Segundo o FGC, atualmente cerca de 2,8 mil solicitações são analisadas por hora por meio do aplicativo, o equivalente a aproximadamente 46 pedidos por minuto.

Em nota, o fundo informou que as equipes seguem monitorando o funcionamento das plataformas de forma permanente, com o objetivo de acelerar a liberação dos recursos. Ao mesmo tempo, destacou que os protocolos de segurança e prevenção a fraudes podem impor verificações adicionais em alguns casos, o que pode resultar em prazos diferenciados para determinados investidores.

“O credor que já recebeu o valor limite da garantia de R$ 250 mil não terá novos pagamentos, uma vez que todas as instituições pertencem ao mesmo conglomerado financeiro”, informou o FGC.

O volume total estimado para a cobertura das garantias relacionadas ao Banco Master é de cerca de R$ 40,6 bilhões líquidos. Esse valor representa aproximadamente um terço de todo o patrimônio disponível do FGC, evidenciando o impacto da liquidação da instituição sobre o sistema de proteção a depositantes e investidores no país.

Na prática, o FGC funciona como um mecanismo de segurança do sistema financeiro, assegurando que pessoas físicas e jurídicas recebam até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ em produtos cobertos, como depósitos e certos títulos bancários, no caso de quebra de instituições financeiras.

Além do Banco Master, o fundo também deverá arcar com os pagamentos relacionados ao Will Bank, cuja liquidação foi decretada nesta semana pelo Banco Central. A estimativa inicial é de um desembolso adicional de cerca de R$ 6,3 bilhões. O início desses repasses, porém, depende do envio da base completa de dados dos credores pelo liquidante nomeado pelo BC, e ainda não há data definida para a liberação.

O FGC ressaltou que, como o Will Bank passou a integrar o conglomerado do Banco Master em agosto de 2024, o limite de cobertura não é renovado para os mesmos clientes. Ou seja, investidores que já atingiram o teto de R$ 250 mil em pagamentos relacionados a outras empresas do grupo não terão novos valores a receber.

A liquidação do Banco Master foi determinada em 18 de novembro, em meio às investigações conduzidas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal sobre suspeitas de fraudes de grande escala envolvendo a instituição. No mesmo dia, o controlador do banco, Daniel Vorcaro, chegou a ser preso, mas posteriormente foi solto e responde às apurações em liberdade, sob medidas cautelares.

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O avanço dos pagamentos reforça o papel central do FGC como instrumento de estabilidade do sistema financeiro, mas também expõe a dimensão do impacto provocado pela quebra de uma única instituição de médio porte, capaz de mobilizar dezenas de bilhões de reais em recursos do fundo e de alcançar centenas de milhares de investidores em todo o país.


SÃO PAULO WEATHER