Arrecadação federal bate recorde em 2025 e chega a R$ 2,89 trilhões

Arrecadação federal bate recorde em 2025 e chega a R$ 2,89 trilhões
Os tributos sobre o comércio exterior também apresentaram crescimento real de 9,49%, impulsionados pela valorização do dólar e pelo aumento das alíquotas médias/Agência Brasil
Publicado em 23/01/2026 às 7:00

Da redação de LexLegal

A arrecadação da União com impostos e outras receitas federais alcançou um novo recorde histórico em 2025 e somou R$ 2,89 trilhões, segundo dados divulgados pela Receita Federal. O resultado representa um crescimento real de 3,75% em relação a 2024, já descontada a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), e consolida o melhor desempenho arrecadatório da série histórica.

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O desempenho recorde foi impulsionado pela combinação entre a atividade econômica, especialmente no setor de serviços, e mudanças recentes na legislação tributária. “São números bonitos, um crescimento importante, considerando o patamar alto do ano anterior [2024]”, afirmou o secretário especial da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, durante a apresentação dos dados.

O resultado engloba a arrecadação de tributos como o Imposto de Renda de pessoas físicas e jurídicas, as contribuições previdenciárias, o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), o PIS/Cofins, além de outras receitas. Também entram no cálculo valores provenientes de royalties e depósitos judiciais, ainda que esses não sejam diretamente administrados pela Receita Federal.

O mês de dezembro também registrou o maior volume de arrecadação já observado para o período. Foram R$ 292,72 bilhões, o que corresponde a um crescimento real de 7,46% em relação a dezembro de 2024. Considerando apenas as receitas administradas pela Receita Federal, o valor arrecadado no último mês de 2025 foi de R$ 285,21 bilhões, com alta real de 7,67%.

No acumulado do ano, as receitas diretamente administradas pelo órgão somaram R$ 2,76 trilhões, representando um crescimento real de 4,27% em relação a 2024. A Receita destacou, porém, que a base de comparação sofre influência de eventos não recorrentes registrados no ano anterior. Em 2024, por exemplo, houve um recolhimento extraordinário de R$ 13 bilhões em Imposto de Renda Retido na Fonte sobre rendimentos de capital, decorrente da tributação de fundos exclusivos, o que não se repetiu em 2025.

Também houve diferença na arrecadação atípica de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Em 2024, o valor extraordinário chegou a R$ 4 bilhões, enquanto em 2025 ficou em torno de R$ 3 bilhões. Segundo a Receita Federal, “sem considerar os pagamentos atípicos, haveria um crescimento real de 4,82% na arrecadação do período de janeiro a dezembro de 2025”.

A dinâmica macroeconômica foi decisiva para o resultado. O setor de serviços, principal motor da economia no período, cresceu 2,72% entre dezembro de 2024 e novembro de 2025, fator que impactou diretamente a base de cálculo de tributos como PIS/Cofins e Imposto de Renda. A massa salarial acumulada avançou 10,9%, reforçando a arrecadação previdenciária e o Imposto de Renda sobre pessoas físicas.

Já a produção industrial teve desempenho praticamente estável, com crescimento de apenas 0,17% no período, enquanto o valor em dólar das importações subiu 2,11%. O setor de vendas de bens apresentou retração de 0,16%, movimento que ajuda a explicar a desaceleração em alguns tributos ligados à indústria e ao consumo de produtos manufaturados.

Entre os destaques da arrecadação de 2025 está o aumento expressivo do IOF, que somou R$ 86,48 bilhões no ano, crescimento de 20,54% em comparação com 2024. De acordo com a Receita, “esse desempenho pode ser pelas operações relativas à saída de moeda estrangeira, a crédito destinado a pessoas jurídicas e referentes a títulos ou valores mobiliários, sobretudo em decorrência de alterações legislativas”. Em junho do ano passado, o governo elevou a cobrança do imposto em algumas operações de crédito por meio do Decreto nº 12.499/2025, que posteriormente acabou sendo derrubado.

A arrecadação previdenciária atingiu R$ 737,57 bilhões, alta real de 3,27%, refletindo principalmente o crescimento da massa salarial. Já o PIS/Cofins alcançou R$ 581,95 bilhões, com expansão real de 3,03%, puxado pelo desempenho do setor financeiro e pela taxação de serviços de apostas online em 2025.

Nesse ponto, o avanço foi especialmente expressivo. A arrecadação relacionada às casas de apostas virtuais saltou de R$ 91 milhões em 2024 para quase R$ 10 bilhões em 2025, uma alta superior a 10.000%, tornando-se uma nova e relevante fonte de receita tributária para a União.

Os tributos sobre o comércio exterior também apresentaram crescimento real de 9,49%, impulsionados pela valorização do dólar e pelo aumento das alíquotas médias. Já a arrecadação sobre rendimentos de residentes no exterior avançou 12,91%, resultado associado, entre outros fatores, ao recolhimento de royalties, rendimentos de trabalho e aos Juros sobre Capital Próprio (JCP), mecanismo utilizado por empresas para distribuir parte dos lucros aos acionistas.

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Apesar do recorde anual, a Receita Federal observou sinais de desaceleração em segmentos ligados à indústria e à venda de bens. A arrecadação de IRPJ e CSLL, por exemplo, cresceu apenas 1,27% em termos reais, o mesmo percentual registrado pelo IPI, refletindo o ritmo praticamente estável da atividade industrial ao longo do período.

SÃO PAULO WEATHER