Ibovespa sobe 3,33%, encosta nos 172 mil pontos e dólar cai ao menor nível desde dezembro

Da redação de LexLegal
O mercado financeiro brasileiro teve um dos dias mais fortes dos últimos anos nesta quarta-feira (21), em um ambiente marcado pela redução das tensões no cenário internacional e pela intensificação do ingresso de capital estrangeiro. A Bolsa de Valores de São Paulo renovou máximas históricas, aproximou-se dos 172 mil pontos e registrou a maior valorização diária desde abril de 2023. No câmbio, o dólar recuou mais de 1% e encerrou no menor patamar desde o início de dezembro.
Leia também: PSFA LAW assessora cessão integral do Campo de Itaparica para Geoflux e Rubicão
O Ibovespa, principal índice da B3, fechou aos 171.817 pontos, com alta de 3,33%. Durante o pregão, o indicador superou sucessivamente marcas históricas, ultrapassando níveis entre 167 mil e 171 mil pontos pela primeira vez. A movimentação foi acompanhada por um volume financeiro de R$ 43,3 bilhões, muito acima da média registrada em 2026, sinalizando um aumento expressivo do apetite ao risco por parte dos investidores.
No acumulado do ano, o Ibovespa já apresenta valorização de 6,6%. O movimento é sustentado principalmente pelo capital externo, que soma entrada líquida de R$ 7,6 bilhões até a metade de janeiro, segundo dados de mercado.
A valorização ganhou intensidade ao longo da tarde, em sintonia com o desempenho das bolsas norte-americanas. Em Nova York, o S&P 500 avançou mais de 1%, refletindo um ambiente mais favorável aos ativos de risco após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que reduziram a percepção de conflito em temas sensíveis da política externa e comercial.
No mercado de câmbio, o dólar à vista caiu R$ 0,061, o equivalente a 1,1%, encerrando o dia cotado a R$ 5,321. A moeda operou em queda durante praticamente todo o pregão, com aceleração do movimento no período da tarde, após sinalizações de menor disposição do governo norte-americano em avançar com novas tarifas contra a União Europeia.
Esse valor representa o menor nível da divisa norte-americana desde 4 de dezembro. Em 2026, o dólar acumula desvalorização de 3,06% frente ao real.
Além do cenário externo mais favorável, o fluxo positivo de recursos para o Brasil tem sido um dos principais vetores de sustentação dos ativos domésticos. Dados do Banco Central divulgados nesta quarta-feira mostram que o país registrou entrada líquida de US$ 1,54 bilhão em janeiro até o dia 16, concentrada principalmente no canal financeiro.
Outro fator que contribuiu para o fortalecimento do real foi a queda nos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, considerados referência global de segurança. A redução dessas taxas torna investimentos em países emergentes mais atrativos, ampliando a entrada de dólares no mercado brasileiro e pressionando a cotação da moeda norte-americana para baixo.
Veja também: O colapso da ordem liberal e o retorno da política da força
O movimento ocorreu apesar de eventos domésticos relevantes, como a liquidação extrajudicial do Will Bank, controlado pelo Banco Master. A medida chamou a atenção do mercado, mas não teve impacto direto na precificação dos ativos, que permaneceram alinhados ao ambiente positivo observado no exterior.