Raul Jungmann une políticos e Supremo em despedida

Da redação de LexLegal
Com mais de cinco décadas de atuação na vida pública, Raul Jungmann morreu no último domingo (18), aos 73 anos, vítima de câncer no pâncreas. A notícia teve ampla repercussão no meio político e jurídico, reunindo manifestações de líderes de diferentes correntes ideológicas que destacaram sua trajetória marcada pelo diálogo institucional, pela defesa da democracia e pela ocupação de cargos estratégicos no Legislativo e no Executivo.
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Vereador, deputado federal por vários mandatos e ministro em governos de orientações distintas, Jungmann construiu uma carreira que atravessou momentos centrais da história política recente do país. Atuou como ministro da Reforma Agrária, do Desenvolvimento Agrário, do Meio Ambiente, da Defesa e da Segurança Pública, tendo integrado tanto o governo Fernando Henrique Cardoso quanto a gestão de Michel Temer. Essa passagem por diferentes áreas e administrações consolidou sua imagem como um quadro técnico com trânsito em campos políticos diversos.
O ex-presidente Michel Temer, que teve Jungmann como ministro da Defesa e da Segurança Pública, afirmou em nota: “Um brasileiro que soube servir ao país. Por onde passou deixou sua marca. Fosse como ministro da Reforma Agrária, ministro da Defesa e Segurança Pública, fosse como grande parlamentar. Tristeza no plano cívico, saudades no plano pessoal. Descanse em paz, Raul!”.
No governo Lula, o ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira, também ressaltou o papel histórico do político: “Raul Jungmann teve longa trajetória na política brasileira, desde a luta das Diretas Já até sua passagem pelo PCB e como fundador do PPS, tendo sido deputado federal e ministro do Meio Ambiente, Desenvolvimento Agrário nos governos de FHC e da Defesa e Segurança Pública no governo Temer. Enquanto sua saúde permitiu participou, com generosidade e espírito democrático, do conselho dos ex-ministros do Desenvolvimento Agrário que montei como espaço de consulta e reflexão no ministério. Meus agradecimentos e meus sentimentos aos familiares e amigos de Raul Jungmann”.
No Judiciário, ministros do Supremo Tribunal Federal destacaram o perfil republicano do ex-ministro. Gilmar Mendes publicou uma homenagem mais extensa, da qual um trecho afirma: “A partida de Raul Jungmann me atinge de forma especialmente dolorosa. Perco um amigo querido, cuja presença sempre inspirou confiança e serenidade. Nossa amizade foi construída no diálogo franco e na partilha de uma mesma convicção: a de que a democracia exige coragem e compromisso permanente com a Constituição. Raul foi um homem público de rara integridade e de extraordinária densidade republicana. No exercício de funções centrais no Estado brasileiro, especialmente como ministro no governo de Fernando Henrique, integrou um verdadeiro dream team comprometido com a estabilização institucional, as reformas estruturais e a consolidação da ordem constitucional inaugurada em 1988. (…) O Brasil perde um grande homem público; eu perco um amigo. Minha solidariedade à família e a todos que tiveram o privilégio de conviver com Raul Jungmann”.
Também em nota, Alexandre de Moraes afirmou: “Raul Jungmann, um grande democrata, foi exemplo de homem público, que exerceu diversos cargos, sempre com competência, lealdade e eficiência, como presenciei durante as Olimpíadas no Rio de Janeiro, quando trabalhamos juntos na coordenação da inteligência e segurança do evento”.
No Congresso, o senador Randolfe Rodrigues destacou a dimensão ética da atuação de Jungmann: “Perdemos Raul Jungmann, um dos mais capacitados e éticos homens públicos que já conheci na vida. A política brasileira perde um grande quadro, um homem de diálogo, firmeza e profundo compromisso com o interesse público. Ficam seu legado, seu exemplo e a saudade entre todos que acreditam na boa política”.
Governadores também se manifestaram. O chefe do Executivo do Rio Grande do Sul, Marcelo Leite, escreveu: “Lamento profundamente a morte de Raul Jungmann, aos 73 anos, homem público de trajetória marcante e de grande compromisso com o Brasil. Atuou com seriedade e espírito republicano em diferentes momentos da vida nacional, deixando uma contribuição relevante ao serviço público”.
O partido Cidadania, legenda pela qual Jungmann teve atuação histórica desde os tempos do antigo PPS, divulgou nota assinada por seu presidente, Roberto Freire: “O Cidadania recebe com profundo pesar a notícia do falecimento de Raul Jungmann, ex-ministro e homem público de trajetória reconhecida.” O texto também recorda que Jungmann foi militante desde a juventude no PCB, integrou o PPS e fez parte da construção política que deu origem ao atual Cidadania, sempre pautado pela defesa da democracia e do interesse público.
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Ainda segundo a nota, “Mesmo após sua saída formal do partido, manteve uma relação próxima com o Cidadania. Seguiu sendo parceiro, presente no debate político e disponível para contribuir com ideias e formação. Recentemente, participou de atividades com filiados, especialmente em encontros voltados à segurança pública, área em que era referência”.