Ar-condicionado pode responder por até 40% da conta de luz no verão: veja como reduzir o consumo

Da redação de LexLegal
O uso do ar-condicionado nos meses mais quentes pode representar até 40% do consumo de energia elétrica em uma residência, segundo estimativas do setor elétrico. O peso na conta de luz varia conforme o modelo do aparelho, sua potência e o tempo de funcionamento diário. Ainda assim, especialistas afirmam que, com escolhas técnicas adequadas e hábitos simples de uso, o equipamento pode deixar de ser um vilão do orçamento doméstico e se tornar um aliado na busca por eficiência energética.
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Em entrevista à Agência Brasil, o especialista em pesquisa e desenvolvimento da Gree, Romenig Magalhães, explicou que a principal diferença de consumo está ligada à tecnologia utilizada pelo equipamento. Aparelhos do tipo inverter, hoje considerados os mais eficientes do mercado, operam com controle contínuo do compressor, evitando os picos de energia provocados pelo ciclo constante de liga e desliga presente nos modelos tradicionais. Segundo ele, “essa tecnologia pode provocar redução de até 40% no consumo residencial em dias mais quentes”.
A lógica por trás do sistema inverter é manter a temperatura estável com menor esforço do motor. Em vez de trabalhar sempre na potência máxima, o equipamento ajusta sua operação de acordo com a necessidade do ambiente. Isso reduz o gasto de energia e também prolonga a vida útil do aparelho, já que diminui o desgaste das peças internas.
Na prática, o consumo mensal está diretamente relacionado à potência do equipamento, medida em BTUs, e ao tempo de funcionamento. Um ar-condicionado residencial de 9 mil a 12 mil BTUs, usado de forma moderada, pode consumir entre 15 kWh e 45 kWh por mês. Modelos mais antigos, sem a tecnologia inverter, tendem a ultrapassar facilmente esse patamar, especialmente em períodos de bandeira vermelha, quando a tarifa de energia é mais cara.
Outro fator decisivo é a eficiência energética certificada. O selo do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) classifica os aparelhos de acordo com seu desempenho energético, sendo a classificação A a mais econômica. Essa informação permite ao consumidor comparar modelos e estimar o impacto que o equipamento terá no orçamento ao longo do tempo.
Além da escolha do aparelho, o modo de utilização influencia diretamente no consumo. Segundo Magalhães, manter portas e janelas fechadas durante o funcionamento é essencial para evitar que o ar frio escape e o aparelho precise trabalhar mais para manter a temperatura. A proteção contra a incidência direta do sol, por meio de cortinas ou persianas, também contribui para reduzir a carga térmica do ambiente.
A manutenção regular é outro ponto crítico. Filtros sujos e falta de revisão técnica comprometem a eficiência do sistema. De acordo com o especialista, “filtros limpos e revisões periódicas evitam perda de eficiência”, o que significa menor consumo de energia e melhor qualidade do ar no ambiente.
A regulagem da temperatura também tem impacto direto na conta de luz. Magalhães recomenda que o controle remoto seja ajustado para uma faixa entre 23°C e 25°C. “Dá equilíbrio para que a pessoa sinta um ambiente mais confortável e também faz bem à saúde. Vai ser uma temperatura de conforto térmico para o ambiente”, afirmou.
Ele alerta que temperaturas muito baixas elevam significativamente o consumo e ainda podem causar desconforto físico. “A temperatura na faixa de 16 graus a 20 graus vai consumir muita energia e acaba causando um desconforto térmico, o ar fica muito seco no ambiente, há baixa umidade do ar”, explicou.
Outra função que pode ajudar na economia é o modo “Sono”, disponível na maioria dos aparelhos modernos. Esse recurso ajusta automaticamente a temperatura ao longo da noite, elevando-a gradualmente. “A temperatura vai aumentando de maneira gradual e, ao despertar, o nível de consumo do aparelho vai estar bem mais baixo, sem impacto na conta de energia”, afirmou o especialista.
Do ponto de vista regulatório e econômico, a disseminação de equipamentos mais eficientes tem reflexo direto sobre o sistema elétrico como um todo. Em períodos de forte calor, o uso intensivo de ar-condicionado eleva a demanda por energia e pressiona a geração, muitas vezes acionando usinas mais caras e poluentes. A eficiência no consumo doméstico, portanto, também tem efeito coletivo, contribuindo para a estabilidade do sistema e para a redução de custos estruturais.
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No cotidiano do consumidor, a soma dessas medidas pode representar uma diferença expressiva no valor final da fatura mensal. Escolher aparelhos com tecnologia inverter, priorizar modelos com selo A do Inmetro, manter a manutenção em dia, proteger o ambiente do calor externo e adotar uma temperatura de conforto são estratégias que transformam o uso do ar-condicionado em algo mais racional e financeiramente sustentável.