Mortes por intervenção policial sobem 13% no RJ e chegam a 797 em 2025, aponta ISP

Mortes por intervenção policial sobem 13% no RJ e chegam a 797 em 2025, aponta ISP
Operação policial em comunidade da zona norte do Rio de Janeiro, região que concentrou a ação mais letal de 2025, segundo dados do ISP/Tomaz Silva/Agência Brasil
Publicado em 17/01/2026 às 9:00

Da redação de LexLegal

O número de mortes provocadas por intervenções policiais no estado do Rio de Janeiro chegou a 797 em 2025, um crescimento de 13% em relação a 2024, quando foram contabilizados 703 óbitos. Os dados foram divulgados pelo Instituto de Segurança Pública (ISP), órgão ligado ao governo estadual e responsável pela consolidação das estatísticas oficiais de criminalidade.

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O levantamento revela que, além do aumento da letalidade policial, houve também crescimento no número de agentes de segurança mortos em serviço. Em 2025, seis policiais civis e 13 policiais militares perderam a vida. No ano anterior, haviam sido registradas a morte de um policial civil e de 11 policiais militares. O dado reforça a permanência de um cenário de confronto armado intenso, especialmente em áreas dominadas por facções criminosas e milícias.

O ISP destacou que, em 2025, ocorreu a operação policial mais letal já registrada na capital fluminense. A ação, realizada nos complexos do Alemão e da Penha, na zona norte do Rio, deixou 121 mortos, entre eles dois policiais militares e dois civis. O episódio se tornou um marco negativo na história recente da segurança pública do estado, tanto pelo número absoluto de vítimas quanto pelo impacto social e institucional.

Quando se observa o conjunto dos crimes contra a vida, o estado contabilizou 3.881 mortes em 2025, número que inclui homicídios dolosos, lesões corporais seguidas de morte, latrocínios e mortes decorrentes de intervenção policial. O total representa alta de 2% em relação a 2024, quando foram registradas 3.809 vítimas.

Apesar do aumento global da letalidade violenta, alguns indicadores apresentaram retração. O latrocínio, crime caracterizado pelo roubo seguido de morte, teve queda expressiva de 22%. Em 2025, foram registradas 77 ocorrências, contra 99 no ano anterior. O dado indica uma redução em crimes de extrema violência ligados à criminalidade patrimonial.

O mês de dezembro apresentou um comportamento distinto do restante do ano. Segundo o ISP, a letalidade violenta recuou 8,1% em comparação com dezembro de 2024, passando de 370 para 340 mortes. Os homicídios dolosos também diminuíram 11,7%, atingindo 271 vítimas, o menor número para o mês nos últimos três anos. Em dezembro de 2024, haviam sido registradas 307 mortes.

No campo da violência sexual, o estado somou 5.867 registros de estupro em 2025, crescimento de 0,8% em relação ao ano anterior, quando houve 5.819 casos. O dado mostra a persistência de índices elevados desse tipo de crime, que costuma apresentar alta subnotificação e forte impacto sobre grupos vulneráveis.

Já os crimes contra o patrimônio apresentaram queda significativa. O roubo de veículos recuou 18,4%, passando de 30.930 ocorrências em 2024 para 25.239 em 2025. Os roubos de rua diminuíram 2,7%, caindo de 58.521 para 56.937 registros. O roubo de carga também apresentou redução, de 9,4%, com 3.114 casos em 2025, ante 3.437 no ano anterior.

Outro destaque do relatório foi a apreensão recorde de fuzis. As polícias Civil e Militar retiraram de circulação 920 armas desse tipo em 2025, um aumento de 25,7% em relação a 2024. Esse é o maior número desde o início da série histórica, em 2007, segundo o próprio ISP.

Para a diretora-presidente do Instituto de Segurança Pública, Marcela Ortiz, os números mostram que a política de segurança baseada em inteligência e integração entre as forças policiais tem produzido efeitos concretos, especialmente no combate ao crime organizado armado. Segundo ela, o aumento das apreensões de fuzis e a redução dos crimes patrimoniais “confirma a efetividade das estratégias de enfrentamento à criminalidade, com base em Inteligência, análise de dados e evidências, além da integração entre as corporações”.

O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, também comentou os resultados, ressaltando o papel dos investimentos em tecnologia e na atuação conjunta das polícias. “É impressionante que em um estado que não produz fuzis sejam apreendidas tantas armas de guerra. Sigo reafirmando que precisamos da colaboração de outros entes na fiscalização das fronteiras e de uma legislação mais rígida”, afirmou.

O conjunto dos dados revela um cenário ambíguo. De um lado, há redução consistente em crimes contra o patrimônio e um volume histórico de apreensão de armamento pesado. De outro, a elevação das mortes por intervenção policial reacende o debate sobre o uso da força, a letalidade das operações e os limites constitucionais da atuação estatal em áreas urbanas densamente povoadas.

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O crescimento de 13% nas mortes decorrentes de ações policiais reforça a centralidade da discussão sobre protocolos operacionais, responsabilização, transparência e controle externo da atividade policial, especialmente em um estado que historicamente apresenta índices elevados de letalidade em operações de segurança pública.

SÃO PAULO WEATHER