INSS muda regras do PGB para acelerar análise de benefícios e reduzir filas

INSS muda regras do PGB para acelerar análise de benefícios e reduzir filas
Nacionalização da fila e foco em BPC e auxílios por incapacidade estão entre as medidas/Agência Brasil
Publicado em 15/01/2026 às 14:00

Da redação de LexLegal

O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) alterou o Programa de Gerenciamento de Benefícios (PGB) com o objetivo de reduzir o tempo de tramitação dos processos e enfrentar a fila de espera por concessão de benefícios. As novas regras foram publicadas no Diário Oficial da União e passam a reorganizar a forma como servidores e peritos atuam na análise dos pedidos feitos pelos segurados.

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A principal mudança é a chamada “nacionalização da fila”, que deixa de vincular os processos exclusivamente às agências ou regiões onde foram protocolados. Na prática, isso permite que servidores de unidades com menor volume de trabalho ou melhores indicadores de produtividade analisem processos de localidades com maior atraso. A medida busca distribuir melhor a força de trabalho e diminuir desigualdades regionais no tempo de espera.

“A ideia é que a força de trabalho das regiões com melhores indicadores possa atuar nos processos daqueles que estão esperando mais tempo. Além disso, nós focamos naqueles benefícios que possuem maior número de pessoas aguardando”, declarou o presidente do INSS, Gilberto Waller.

Segundo o Relatório da Fila, divulgado pelo próprio instituto em outubro de 2025, o tempo médio para a concessão de benefícios caiu para 35 dias, depois de ter alcançado uma média de 64 dias em março do ano passado. A mudança nas regras do PGB é vista internamente como uma forma de consolidar essa redução e evitar que o estoque de processos volte a crescer.

De acordo com Waller, o novo esforço do INSS será direcionado principalmente para os benefícios que concentram a maior parte da fila. “Essa é a prioridade para a gente atacar essa fila de verdade: tais como os casos do BPC (Benefício de Prestação Continuada) e os benefícios por incapacidade. Isso representa quase 80% da nossa fila e esses são aqueles que vamos atacar prioritariamente”, afirmou.

O BPC é um benefício assistencial pago a idosos a partir de 65 anos e a pessoas com deficiência de baixa renda, mesmo sem contribuição ao INSS. Já os benefícios por incapacidade envolvem auxílios e aposentadorias concedidos a quem não pode trabalhar por motivo de doença ou acidente, o que costuma exigir perícia médica e torna o processo mais complexo e demorado.

O PGB foi criado pela Lei 15.201/2025 com a finalidade de acelerar a revisão e a concessão de benefícios por meio de um sistema de incentivos. O programa prevê o pagamento de uma bonificação a servidores e peritos que realizem atividades além de sua capacidade regular de trabalho, em tarefas voltadas à redução da fila. Esse pagamento é conhecido como Pagamento Extraordinário do Programa de Gerenciamento de Benefícios do INSS (PEPGB).

Com as novas regras, o PEPGB também passou por ajustes. Foram definidos limites diários de participação, critérios para controle de qualidade das análises e regras mais claras sobre quem pode aderir ao programa. A intenção é evitar distorções, garantir a correção técnica das decisões e impedir que a busca por produtividade comprometa a qualidade dos processos.

Além disso, em novembro de 2025, diante de um aumento de 23% no volume de novos requerimentos ao longo do ano, o INSS criou um comitê estratégico para acompanhar de forma permanente o tamanho da fila. O grupo é responsável por monitorar indicadores, avaliar gargalos e propor soluções administrativas para evitar novos acúmulos de processos.

A combinação entre a nacionalização da fila, a priorização de benefícios mais sensíveis socialmente e o reforço do PGB indica uma tentativa do INSS de transformar a gestão do estoque de processos em uma política permanente, e não apenas em ações emergenciais. Para os segurados, a principal expectativa é que essas mudanças se traduzam em prazos mais previsíveis e em menor tempo de espera para a concessão de renda, especialmente em situações de maior vulnerabilidade.

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Se as medidas forem efetivamente implementadas, o INSS pode consolidar a redução da fila observada nos últimos meses. Caso contrário, o risco é que o crescimento contínuo de novos pedidos volte a pressionar o sistema e anule os ganhos recentes em produtividade.

SÃO PAULO WEATHER