Falha em foguete da Índia destrói satélites brasileiros e atrasa projetos espaciais

Falha em foguete da Índia destrói satélites brasileiros e atrasa projetos espaciais
Além do satélite indiano EOS-N1, a missão transportava 15 equipamentos, entre eles cinco satélites desenvolvidos no Brasil/Agência Espacial Brasileira/Divulgação
Publicado em 13/01/2026 às 6:00

Da redação de LexLegal

O lançamento do foguete indiano PSLV-C62, realizado na madrugada desta segunda-feira (12), terminou em falha e resultou na perda de toda a carga útil, que incluía cinco satélites brasileiros e o satélite indiano de observação da Terra EOS-N1. A Agência Espacial Indiana (Isro, na sigla em inglês) ainda não informou o local exato da queda do veículo. O episódio representa um revés técnico para a cooperação internacional em missões de pequeno porte e atinge diretamente projetos acadêmicos brasileiros voltados à pesquisa e à inovação tecnológica.

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O lançamento ocorreu às 10h17 no horário local da Índia, correspondente a 1h48 em Brasília, a partir do Centro Espacial Satish Dhawan, localizado na ilha de Sriharikota. Pouco mais de seis minutos após a decolagem, uma falha foi identificada no terceiro dos quatro estágios do foguete, comprometendo sua trajetória e inviabilizando a continuidade da missão. O PSLV-C62 realizava o seu voo de número 64, sendo considerado até então um dos veículos mais confiáveis do programa espacial indiano.

“A missão PSLV-C62 detectou uma anomalia no final do estágio PS3. Uma análise detalhada foi iniciada”, informou a Isro em uma rede social.

Além do satélite indiano EOS-N1, a missão transportava 15 equipamentos, entre eles cinco satélites desenvolvidos no Brasil. Um dos principais era o nanossatélite Aldebaran-I, criado pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA) com apoio institucional e financeiro da Agência Espacial Brasileira (AEB). O equipamento fazia parte de um projeto iniciado há cinco anos e tinha caráter experimental, sendo destinado à validação de novas tecnologias espaciais.

O Aldebaran-I era classificado como um cubesat padrão 1U, com formato cúbico e 10 centímetros de lado. O nome faz referência à estrela Aldebaran, a mais brilhante da constelação de Touro, cujo significado em árabe remete a “seguidor”. Na prática, o satélite funcionaria como uma prova de conceito, destinada a testar sistemas de comunicação e monitoramento ambiental.

Entre os objetivos previstos para o Aldebaran-I estavam o auxílio na detecção de queimadas e o apoio a autoridades costeiras em operações de busca e salvamento de pequenas embarcações pesqueiras em situação de risco no mar. A perda do equipamento interrompe, ao menos temporariamente, uma linha de pesquisa voltada à aplicação social de tecnologias espaciais de baixo custo.

Além do Aldebaran-I, também estavam a bordo outros quatro satélites brasileiros: Orbital Temple, EduSat-1, Galaxy Explorer e UaiSat. Esses projetos integram o Programa Nacional de Atividades Espaciais (Pnae) 2022–2031, coordenado pela AEB, que busca incentivar o desenvolvimento de nanossatélites acadêmicos, com foco em inovação, formação de recursos humanos e aplicações de interesse público.

O Pnae prevê o estímulo a iniciativas de baixo custo e alta relevância tecnológica, aproximando universidades, centros de pesquisa e o setor espacial. A utilização de lançadores internacionais, como o PSLV, faz parte dessa estratégia, já que o Brasil ainda não dispõe de um sistema próprio plenamente operacional para lançamentos orbitais.

Falhas em lançamentos, embora raras em programas consolidados, fazem parte do risco inerente às atividades espaciais. Ainda assim, o episódio reforça a vulnerabilidade de projetos científicos que dependem de janelas específicas de lançamento e de veículos estrangeiros para colocar seus experimentos em órbita.

Para as instituições envolvidas, o prejuízo não é apenas financeiro, mas também científico, já que dados, testes e validações previstos para os próximos meses não poderão ser realizados. Em projetos acadêmicos, esse tipo de interrupção afeta cronogramas de pesquisa, formação de estudantes e desenvolvimento de tecnologias que ainda estão em fase inicial.

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A Agência Espacial Brasileira ainda não se manifestou oficialmente sobre os impactos diretos do acidente nem sobre eventuais medidas para compensar ou reprogramar os projetos perdidos. A expectativa é de que, após a conclusão das investigações conduzidas pela Isro, seja possível avaliar novas oportunidades de lançamento para os satélites brasileiros substitutos.

SÃO PAULO WEATHER