Argentina restringe entrada de venezuelanos ligados a Maduro após ataque dos EUA

Da redação de LexLegal
O governo da Argentina anunciou a adoção de novas medidas migratórias em resposta à ofensiva militar dos Estados Unidos contra a Venezuela. Segundo nota do Ministério de Segurança Nacional, funcionários públicos, integrantes das Forças Armadas e empresários associados ao governo de Nicolás Maduro passam a ter a entrada no país restringida.
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De acordo com o comunicado oficial, as novas regras têm como objetivo impedir que pessoas vinculadas ao governo venezuelano utilizem o território argentino como refúgio. O texto afirma que as restrições buscam “impedi-los de usar a Argentina como refúgio” e acrescenta que “a Argentina não concederá asilo a colaboradores do regime de Maduro”.
A decisão foi divulgada poucas horas depois da confirmação, por Washington, da captura de Nicolás Maduro durante a operação militar realizada em território venezuelano. O endurecimento das regras migratórias reforça o alinhamento do governo argentino à posição adotada pelos Estados Unidos após o ataque.
Em comunicado separado, o presidente argentino Javier Milei afirmou celebrar “a captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro por parte do governo dos Estados Unidos da América”. Na declaração, Milei classificou a Venezuela como um “inimigo da liberdade” no continente e comparou a situação do país ao papel desempenhado por Cuba nos anos 1960.
A referência remete ao bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos ao governo cubano há mais de seis décadas, com o objetivo declarado de promover uma mudança de regime após a Revolução de 1959. O embargo a Cuba é alvo de condenação recorrente da maioria dos países-membros da ONU, que o consideram uma violação ao direito internacional.
A posição argentina contrasta com a de outros governos da região, que reagiram ao ataque norte-americano com apelos à moderação, ao diálogo e ao respeito à soberania venezuelana. No caso de Buenos Aires, a resposta foi imediata e se traduziu em medidas administrativas concretas voltadas ao controle migratório.
A ofensiva militar dos Estados Unidos contra a Venezuela marca um novo episódio de intervenções diretas de Washington na América Latina. A última ação desse tipo ocorreu em 1989, quando tropas norte-americanas invadiram o Panamá e capturaram o então presidente Manuel Noriega, acusado de envolvimento com o narcotráfico.
Assim como ocorreu naquele episódio, o governo dos EUA acusa Nicolás Maduro de liderar um suposto cartel de drogas conhecido como De Los Soles, sem apresentação pública de provas. Especialistas em tráfico internacional questionam a existência e a estrutura dessa organização.
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Antes da operação, o governo de Donald Trump oferecia uma recompensa de US$ 50 milhões por informações que levassem à prisão de Maduro. Para críticos da ação, o ataque tem motivações geopolíticas mais amplas, como afastar a Venezuela de aliados estratégicos dos Estados Unidos, entre eles China e Rússia, além de ampliar o controle sobre o petróleo venezuelano, país que concentra as maiores reservas comprovadas de óleo do planeta.