CNBB critica retrocessos éticos e cobra respeito à democracia em carta de Ano-Novo

Da redação de LexLegal
Em mensagem, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) demonstrou preocupação com os rumos éticos e sociais do país. O texto faz um balanço crítico de 2025 e alerta para o enfraquecimento da democracia, a perda de confiança nas instituições e o avanço da desigualdade.
Leia também: Proteção digital da infância exige mais do que o ECA Digital propõe
A carta aponta que o ano foi marcado por “profundas tensões e retrocessos sociais”, que deixaram feridas na convivência democrática. Os bispos defendem que a democracia é um “patrimônio do povo brasileiro”, cuja preservação depende de diálogo, equilíbrio institucional e participação cidadã.
Entre os temas destacados, a entidade denuncia o comportamento de autoridades, mencionando perda de decoro e falta de responsabilidade por parte de membros do Congresso Nacional. Também critica alterações em legislações sensíveis, como a Lei da Ficha Limpa e o licenciamento ambiental.
O documento cita ainda o aumento da violência, da intolerância e do discurso de ódio, além do avanço das economias ilícitas e do uso crescente de drogas. A CNBB alerta que os juros da dívida pública comprometem investimentos em saúde, moradia, educação e segurança.
Apesar das críticas, os bispos também reconhecem avanços em 2025. O fortalecimento do SUS, a redução do desemprego, a estabilidade da inflação e a ampliação de mercados internacionais foram apontados como sinais positivos na área socioeconômica.
No campo ambiental, a realização da COP30 em Belém e o crescimento das energias renováveis foram destacados como compromissos com o futuro do planeta. A instituição também valorizou a taxação de grandes fortunas e a mobilização popular pela redução da jornada de trabalho.
Veja também: Os principais desafios para 2026 diante da reforma tributária e da preparação para a transição de tributos
A carta reafirma valores centrais da Igreja Católica, como a defesa da vida desde a concepção e o combate à miséria e à exclusão. Segundo a CNBB, “defender a vida significa criar condições para que todos tenham vida em abundância”. A mensagem encerra com citação do poeta Thiago de Mello e do arcebispo dom Helder Câmara, evocando esperança em meio às dificuldades: “Faz escuro, mas eu canto, porque a manhã vai chegar”.