Banco Mundial aponta juventude e energia limpa como motores do Nordeste

Banco Mundial aponta juventude e energia limpa como motores do Nordeste
São João de Caruaru, uma das principais manifestações do Nordeste brasileiro/Agência Brasil
Publicado em 26/12/2025 às 15:00

Da redação de LexLegal

Com cerca de 80% dos seus 54 milhões de habitantes formados por jovens e pessoas em idade economicamente ativa, o Nordeste reúne condições para exercer um papel decisivo no desenvolvimento do Brasil. A avaliação consta do relatório Rotas para o Nordeste: Produtividade, Empregos e Inclusão, divulgado neste mês pelo Banco Mundial.

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De acordo com o diagnóstico da instituição, a região pode ampliar a geração de empregos e reduzir a desigualdade em relação às áreas mais ricas do país ao concentrar esforços em setores com maior potencial de crescimento, como a indústria de transformação e os serviços. O documento também defende o aumento dos investimentos em infraestrutura, com destaque para projetos estruturados por meio de parcerias público-privadas.

O relatório reconhece avanços relevantes no capital humano nordestino, especialmente no nível educacional dos jovens. Entre 2012 e 2023, a proporção de trabalhadores com diploma universitário quase dobrou, passando de 9,1% para 17%. Apesar desse progresso, a região ainda encontra dificuldades para transformar o aumento da escolaridade em melhores oportunidades de trabalho e renda.

A criação de empregos, apontada como o caminho mais consistente para a redução da pobreza, segue como um dos principais desafios. Entre 2012 e 2022, o Nordeste manteve taxa média de desemprego em torno de 12% e informalidade de 52%, indicadores superiores aos observados em outras regiões do país.

Por outro lado, o estudo ressalta o protagonismo do Nordeste na transição energética brasileira. A região responde por 91% da produção nacional de energia eólica e por 42% da geração de energia solar. Para o Banco Mundial, essa posição abre espaço para um processo de industrialização mais acelerado e sustentável, além de oportunidades em áreas emergentes, como o hidrogênio verde.

“O capital humano e a abundância de recursos naturais, se efetivamente alavancados por meio de um crescimento mais rápido e da geração de empregos de alta qualidade, podem transformar o Nordeste num motor dinâmico para o desenvolvimento futuro do Brasil, abandonando, de vez, seu legado histórico de região defasada”, afirma o relatório.

Entre as recomendações, o documento destaca o fortalecimento dos sistemas de intermediação de mão de obra, para aproximar trabalhadores das vagas disponíveis, e a priorização de setores capazes de oferecer empregos mais qualificados. Também é apontada a necessidade de políticas específicas voltadas à inclusão de mulheres e grupos historicamente marginalizados. A taxa de participação feminina no mercado de trabalho nordestino é de 41%, abaixo dos 52% registrados no restante do país.

O estímulo ao empreendedorismo e a atração de investimentos privados aparecem como fatores centrais para dar mais dinamismo ao ambiente de negócios. O relatório sugere a simplificação de processos de abertura de empresas, a redução de entraves burocráticos, o fortalecimento da concorrência e a diminuição da dependência de subsídios fiscais, que, segundo a análise, tendem a reduzir a produtividade e concentrar mercados.

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Outro eixo considerado estratégico é a modernização da infraestrutura, com investimentos em rodovias, ferrovias e conectividade digital, além da ampliação do acesso à água e ao saneamento básico. O Banco Mundial ressalta que esses projetos exigem planejamento rigoroso e fiscalização adequada para garantir resultados positivos e defende maior participação do setor privado, por meio de parcerias bem estruturadas, como forma de viabilizar grandes empreendimentos.

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