Senado aprova incentivo para atrair melhores alunos do Enem ao magistério

Senado aprova incentivo para atrair melhores alunos do Enem ao magistério
Lei estadual proibia a adoção de cotas raciais em instituições de ensino financiadas com recursos públicos/Unsplash
Publicado em 18/12/2025 às 15:30

Da redação de LexLegal

O Senado Federal deu sinal verde ao projeto de lei que cria a Política Nacional de Indução à Docência na Educação Básica. A proposta estabelece um conjunto de estímulos financeiros, como bolsas de estudo, para atrair estudantes com alto desempenho no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) para cursos presenciais de licenciatura. O texto, que segue agora para a sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, busca combater o esvaziamento das carreiras de professor e a falta de profissionais em áreas estratégicas do país.

Leia também: STF: Mendonça vota por mínimo de R$ 600 para dívidas e Moraes suspende julgamento

Bolsas e compromisso com a rede pública

O programa funcionará em regime de colaboração, termo técnico que designa a atuação conjunta e coordenada entre União, estados e municípios. Os estudantes que aderirem ao benefício terão contrapartidas específicas: deverão cumprir 400 horas de estágio supervisionado e 320 horas de atividades de extensão. Após a formatura, o profissional precisará atuar em escolas públicas por, pelo menos, dois anos. A relatora da matéria, senadora Dorinha Seabra (União-TO), destacou que as iniciativas aumentam a atratividade da carreira docente e, assim, contribuem para minimizar um problema que já vem se agravando há muitos anos em nosso País: poucos estudantes escolhem as licenciaturas no vestibular e, mesmo quando o fazem e concluem o curso, não seguem a carreira docente ou trocam de profissão algum tempo depois de experimentarem a sala de aula.

Caberá ao Ministério da Educação (MEC) mapear as regiões e disciplinas com maior déficit de professores para direcionar os investimentos. O projeto prevê apoio financeiro direto a egressos, nome dado aos recém-formados, que aceitarem trabalhar em localidades de difícil provimento ou com indicadores educacionais críticos. As instituições de ensino superior que participarão do programa também serão selecionadas com base em critérios de elegibilidade, que são as regras e requisitos necessários para que uma entidade seja autorizada a receber recursos ou gerir as bolsas.

Avaliação nacional e concursos frequentes

Uma das inovações do projeto é a criação da Prova Nacional de Docentes (PND). Essa avaliação anual servirá como ferramenta de diagnóstico para que estados e municípios planejem melhor sua força de trabalho. O objetivo é que os entes federados possam realizar concursos públicos menores e mais frequentes, de forma a garantir previsibilidade na contratação, evitando longos períodos sem renovação do quadro de servidores. A política será monitorada por fóruns de formação, entidades de classe e gestores públicos para assegurar que os recursos atinjam as metas de aprendizagem.

Veja também: STJ nega extensão de patente do Ozempic e libera caminho para genéricos

Para as redes de ensino, a adesão ao programa dependerá de um diagnóstico prévio da falta de profissionais. O projeto pretende não apenas levar o professor até a sala de aula, mas garantir que ele permaneça na profissão através de suporte estruturado nos primeiros anos de carreira. Com a aprovação legislativa, o MEC terá o papel de regulamentar os valores das bolsas e os prazos para início da implementação da nova política nacional em todo o território brasileiro.

SÃO PAULO WEATHER