Lula comenta prisão de Bolsonaro e diz que Justiça tomou decisão que lhe cabia

Lula comenta prisão de Bolsonaro e diz que Justiça tomou decisão que lhe cabia
Depois de ser levado à Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal, Bolsonaro participou de audiência por videoconferência no domingo/Valter Campanato/Agência Brasil
Publicado em 24/11/2025 às 6:00

Da redação de LexLegal

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou neste domingo (23) que “todo mundo sabe” o que o ex-presidente Jair Bolsonaro fez e declarou que a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de decretar sua prisão preventiva foi tomada dentro das atribuições do Judiciário. A fala ocorreu durante entrevista à imprensa em Joanesburgo, na África do Sul, onde Lula participou da Cúpula de Líderes do G20.

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Durante a entrevista, Lula foi perguntado sobre a ordem de prisão expedida no sábado (22) pelo ministro Alexandre de Moraes. “Eu não faço comentário sobre uma decisão da Suprema Corte. A Justiça tomou uma decisão, ele foi julgado, ele teve todo o direito à presunção de inocência, foram praticamente dois anos e meio de investigação, de delação, de julgamento. Ou seja, então, a Justiça decidiu, está decidido, ele vai cumprir com a pena que a Justiça determinou e todo mundo sabe o que ele fez”, afirmou.

Ao ser questionado sobre o impacto do caso na relação com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Lula respondeu que cada país deve respeitar a soberania do outro. “Acho que o Trump tem que saber que nós somos um país soberano, que a nossa Justiça decide e o que decide aqui está decidido”, disse.

A ordem de prisão foi fundamentada por Moraes no risco de fuga, após Bolsonaro tentar danificar a tornozeleira eletrônica com um ferro de solda na sexta-feira (21). A ação desencadeou alertas na Secretaria de Administração Penitenciária do Distrito Federal. O ministro também mencionou a vigília convocada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) perto da casa onde o ex-presidente cumpria prisão domiciliar.

Depois de ser levado à Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal, Bolsonaro participou de audiência por videoconferência no domingo. Na sessão, alegou que “teve uma certa paranoia de sexta para sábado em razão de medicamentos que tem tomado receitados por médicos diferentes e que interagiram de forma inadequada”. Ele afirmou ainda que “não tinha qualquer intenção de fuga e que não houve rompimento da cinta [da tornozeleira]”. Sobre a vigília organizada em apoio, disse que “o local da vigília fica a setecentos metros da sua casa, não havendo possibilidade de criar qualquer tumulto que pudesse facilitar hipotética fuga”.

Os advogados do ex-presidente confirmaram que vão recorrer da prisão preventiva. Segundo a defesa, a tornozeleira havia sido imposta apenas para “causar humilhação” ao ex-presidente, e a hipótese de fuga seria uma narrativa criada para justificar a detenção.

A Primeira Turma do STF vai analisar nesta segunda-feira (24) a decisão de Moraes. O ministro Flávio Dino convocou sessão virtual extraordinária para referendar a medida. Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão pela tentativa de golpe.

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Na sexta-feira (21), os advogados pediram que Bolsonaro fosse mantido em prisão domiciliar por motivos de saúde, alegando doenças permanentes que exigiriam acompanhamento médico frequente. Moraes rejeitou o pedido no sábado, e o ex-presidente permanece detido após descumprir medidas cautelares impostas no inquérito que investiga a atuação de Eduardo Bolsonaro (PL-SP) em articulações com o governo Donald Trump.

SÃO PAULO WEATHER