Lula cobra do G20 novo modelo econômico com foco climático e transição energética

Lula cobra do G20 novo modelo econômico com foco climático e transição energética
Presidente afirma que grupo precisa liderar reorganização global diante de desastres e emissões/Ricardo Stuckert/PR
Publicado em 23/11/2025 às 12:01

Da redação de LexLegal

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu neste sábado (22), durante a cúpula do G20 na África do Sul, que as maiores economias do mundo assumam a responsabilidade de redesenhar o modelo econômico internacional, privilegiando a transição energética e políticas de resiliência climática. Ele discursou na sessão dedicada à redução de riscos de desastres, mudança do clima, transição energética justa e sistemas alimentares.

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“Entramos agora numa nova etapa, que exigirá esforço simultâneo em duas frentes: acelerar as ações de enfrentamento da mudança clima e nos preparar para uma nova realidade climática. O G20 cumpre papel central em ambas”, disse Lula em Joanesburgo.

Segundo o presidente, o bloco responde por boa parte das emissões globais e, por isso, precisa conduzir um acordo internacional capaz de afastar o planeta dos combustíveis fósseis. “O grupo responde por 77% das emissões globais. É do G20 que um novo modelo de economia deve emergir. O grupo é um ator-chave na elaboração de um mapa do caminho para afastar o mundo dos combustíveis fósseis”, afirmou.

Lula mencionou ainda as conversas finais da COP30, realizada no Brasil, lembrando que organizações da sociedade civil criticaram a falta de metas mais robustas para cumprir o limite de aumento de temperatura previsto no Acordo de Paris. Entre os pontos mais sensíveis está a ausência de um cronograma global para a eliminação progressiva de petróleo e carvão, tema defendido pelo governo brasileiro, mas que não avançou.

Durante o discurso, Lula reforçou que o debate seguirá adiante. “A COP30 mostrou que o mundo precisa enfrentar esse debate. A semente dessa proposta foi plantada e irá frutificar mais cedo ou mais tarde. A mudança do clima não é uma simples questão de política ambiental. É, sobretudo, um desafio de planejamento econômico”, disse.

Ele citou também o documento Princípios Voluntários para Investir em Redução de Risco de Desastres, aprovado sob a liderança sul-africana, destacando que a prevenção exige financiamento robusto e contínuo. Em sua fala, reforçou que a infraestrutura global terá de se adaptar a eventos climáticos cada vez mais extremos. “Sistemas de alerta precoce não bastam. O clima vai colocar à prova nossas pontes, rodovias, edifícios e linhas de transmissão, vai exigir formas mais eficientes de gerir a água, cultivar alimentos e produzir energia, vai obrigar milhares de pessoas e de negócios a buscarem áreas mais seguras para viver e empreender”, afirmou.

Ao tratar de políticas sociais, o presidente destacou a desigualdade como o principal fator de vulnerabilidade climática. “Vai contra nosso sentido mais elementar de justiça permitir que as maiores vítimas da crise climática sejam aquelas que menos contribuíram para causá-la”, disse.

Ele lembrou a Declaração de Belém sobre Fome, Pobreza e Ação Climática Centrada nas Pessoas, lançada na COP30, reforçando compromissos com proteção social, apoio a pequenos produtores e meios de vida sustentáveis para populações que vivem em áreas de floresta. Lula também defendeu que o G20 avance em políticas públicas que garantam segurança alimentar, como compras governamentais e seguros rurais.

Mais cedo, o presidente participou da sessão sobre crescimento sustentável e inclusão social, defendendo medidas internacionais para taxar super-ricos e mecanismos de troca de dívidas por investimentos climáticos. Em seu discurso, alertou para o agravamento da desigualdade global e cobrou mudanças estruturais. “Está na hora de declarar a desigualdade uma emergência global e redesenhar regras e instituições que sustentam assimetrias”, disse. Ele também apoiou a criação de um Painel Independente sobre Desigualdade, proposta que tem como referência o IPCC e é defendida pelo economista Joseph Stiglitz.

O encontro marcou a presidência da África do Sul no G20 em 2025, guiada pelo lema “Solidariedade, Igualdade e Sustentabilidade”. O país definiu como prioridades temas como resiliência a desastres, sustentabilidade da dívida de países de baixa renda, financiamento climático e acesso a minerais estratégicos.

Além das sessões plenárias, Lula manteve reunião bilateral com o presidente sul-africano Cyril Ramaphosa. Os dois líderes destacaram os resultados da COP30 e a participação social no processo. Foi discutida ainda a ampliação do acordo entre o Mercosul e a União Aduaneira da África Austral. Lula convidou Ramaphosa para uma visita ao Brasil em 2026.

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O presidente segue neste domingo (23) em compromissos do G20, incluindo debates sobre minerais críticos, trabalho decente e inteligência artificial. Lula também participará de reunião do Fórum IBAS (Índia-Brasil-África do Sul). Em seguida, viaja para Maputo, Moçambique, para agenda bilateral pelos 50 anos de relações diplomáticas. O retorno ao Brasil está previsto para segunda-feira (24).

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