Relatório acusa Israel de deslocamento forçado de 32 mil palestinos na Cisjordânia

Da redação de LexLegal
Um relatório de 105 páginas divulgado pela Human Rights Watch (HRW) aponta que, no início de 2025, autoridades israelenses removeram à força cerca de 32 mil palestinos de três campos de refugiados na Cisjordânia, impedindo seu retorno mesmo após o fim imediato da operação. A organização afirma que a ação configura crimes de guerra e crimes contra a humanidade, de acordo com padrões do direito internacional humanitário.
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Segundo a HRW, a remoção total da população ocorreu durante a chamada “Operação Iron Wall”, conduzida pelos militares israelenses nos campos de Jenin, Tulkarem e Nur Shams. A ofensiva teve início em 21 de janeiro, poucos dias após o anúncio de um cessar-fogo temporário em Gaza. Autoridades israelenses disseram à entidade que a operação respondia a ameaças de segurança, mas não explicaram por que a expulsão de todos os moradores seria necessária para atingir o objetivo militar nem justificaram a proibição de retorno das famílias.
O relatório descreve que, ao longo da operação, soldados emitiram ordens abruptas para que civis deixassem suas casas imediatamente. Testemunhas relataram que militares avançaram de forma sistemática pelos campos, invadindo residências, revirando pertences, interrogando moradores e expulsando todas as famílias. A HRW cita depoimentos de pessoas que afirmaram ter visto tratores e escavadeiras demolindo estruturas enquanto os moradores eram retirados.
A investigação também detalha o uso de helicópteros Apache, drones, blindados e centenas de soldados em terra durante a expulsão dos civis. De acordo com o documento, não houve oferta de abrigo emergencial, assistência humanitária ou qualquer garantia de proteção às famílias deslocadas. O relatório completo, intitulado “All My Dreams Have Been Erased”, reúne depoimentos e evidências coletadas durante semanas nos três campos afetados.
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A operação na Cisjordânia ocorre em um momento em que governos internacionais pressionam por contenção e respeito aos padrões de proteção de civis, apesar da trégua frágil estabelecida em Gaza. Para a HRW, os abusos evidenciados reforçam a urgência de ações diplomáticas para impedir que autoridades israelenses ampliem a repressão contra a população palestina.