Golpistas miram investidores do Banco Master com falsas ofertas de antecipação do FGC

Golpistas miram investidores do Banco Master com falsas ofertas de antecipação do FGC
Fachada de agência do Banco Master antes da liquidação determinada pelo Banco Central/Rovena Rosa/Agência Brasil
Publicado em 20/11/2025 às 7:30

Da redação de LexLegal

Após a liquidação extrajudicial do Banco Master, decretada pelo Banco Central na terça-feira (18), investidores que aguardam o ressarcimento do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) tornaram-se alvo de uma onda de golpes que promete “liquidez imediata” e “antecipação” do pagamento da garantia. Com os depósitos congelados e sem prazo exato para liberação dos valores, criminosos têm explorado a ansiedade de quem aplicou em CDBs da instituição.

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O FGC — entidade privada responsável por garantir até R$ 250 mil por pessoa em depósitos e investimentos — reforça que não autoriza intermediários, não cobra taxas e não oferece qualquer forma de agilizar o ressarcimento. Qualquer promessa de antecipação, alerta o órgão, configura golpe.

Fernando Falchi, gerente de Engenharia de Segurança da Check Point Software Brasil, explica que a garantia é automática. Ele alerta que qualquer oferta de crédito associada ao pagamento é um sinal evidente de fraude e que a comunicação legítima ocorre exclusivamente pelo aplicativo oficial do FGC. “O cibercriminoso sempre usa a pressa como arma. A verificação, feita no canal oficial, é o melhor antídoto para golpes digitais”, afirmou.

Golpes mais frequentes após a liquidação

No vácuo de informações, surgiram tentativas de fraude que se apresentam como empresas especializadas, escritórios de advocacia ou consultores financeiros. As práticas criminosas se dividem em dois grupos principais: roubo de dados e crédito abusivo.

1. Phishing e roubo de informações
Criminosos simulam sites e aplicativos do FGC para obter dados pessoais e bancários por meio de:
• páginas falsas;
• links enviados por WhatsApp ou redes sociais;
• falsos atendentes que pedem códigos e senhas;
• aplicativos fraudulentos que instalam malware.

Com um clique, golpistas conseguem acesso a contas bancárias, credenciais e até monitoramento remoto de celulares e computadores.

2. Empréstimos predatórios
Outra armadilha é a oferta de supostos “adiantamentos”, que na prática escondem operações de crédito com juros elevados. O investidor, acreditando antecipar o pagamento do FGC, acaba contraindo dívidas que podem consumir boa parte do valor garantido.

Ansiedade entre investidores intensifica riscos

O Banco Master oferecia CDBs com rendimento de até 140% do CDI e operava com carteira de crédito considerada de alto risco. A liquidação ocorreu após meses de dificuldades e levou à prisão de executivos investigados pela Polícia Federal na operação que apura a tentativa de venda do banco ao BRB.

Com a interrupção das atividades, os clientes com aplicações de até R$ 250 mil passaram a depender unicamente do FGC para reaver o dinheiro — processo que envolve prazos e etapas formais, criando terreno fértil para golpes.

Como funciona o processo oficial de ressarcimento

De acordo com o FGC, o caminho correto inclui:
• cadastro inicial no aplicativo oficial;
• aguardar a lista de credores enviada pelo Banco Central, prazo médio de 30 dias;
• habilitação do pedido no app, liberada pelo FGC;
• confirmação da solicitação com biometria, envio de documentos e assinatura digital;
• pagamento em até dois dias úteis após a conclusão.

Nenhuma alternativa paralela, aceleradora ou intermediária é reconhecida pelo FGC.

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Recomendações para evitar golpes
• usar apenas o aplicativo e o site oficial do FGC;
• não fornecer códigos ou dados pessoais a terceiros;
• desconfiar de qualquer promessa de agilização;
• checar URLs e evitar instalar apps por links;
• ativar autenticação em dois fatores e manter antivírus atualizado;
• confirmar informações antes de agir, sobretudo diante de mensagens que criam sensação de urgência.

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