G20 deve divulgar texto sobre minerais críticos com foco no beneficiamento na origem

G20 deve divulgar texto sobre minerais críticos com foco no beneficiamento na origem
Esses minerais incluem lítio, cobalto, níquel e terras raras — insumos essenciais para baterias, turbinas eólicas, painéis solares e semicondutores/Freepik
Publicado em 21/11/2025 às 10:00

Da redação de LexLegal

O G20 prepara a divulgação de um documento específico sobre minerais críticos que, segundo o Ministério das Relações Exteriores, deve reforçar a defesa do beneficiamento desses recursos nos países onde são extraídos. Para o secretário de Assuntos Econômicos e Financeiros do Itamaraty, Philip Fox-Drummond Gough, trata-se de um movimento relevante para nações em desenvolvimento. “É a primeira vez que se consegue um texto sobre isso”, afirmou durante coletiva em Brasília nesta quarta-feira (19).

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A discussão ocorre às vésperas da Cúpula de Líderes do G20, marcada para sábado (22) e domingo (23) em Joanesburgo, na África do Sul, que ocupa a presidência do bloco neste ano. Falando por videoconferência desde a capital sul-africana, Gough explicou que o tema integra as prioridades do país anfitrião e detalhou que o texto em negociação apresenta princípios para orientar extração e beneficiamento de minerais críticos. Segundo ele, “um dos pontos mais importante privilegia o beneficiamento na origem, nos países que extraem esses minerais”.

Esses minerais incluem lítio, cobalto, níquel e terras raras — insumos essenciais para baterias, turbinas eólicas, painéis solares e semicondutores. Considerados estratégicos para tecnologia, defesa e transição energética, estão sujeitos a risco de escassez e forte concentração geográfica. O Brasil detém aproximadamente 10% das reservas globais, segundo o Instituto Brasileiro da Mineração (Ibram). Estudos recentes apontam que a expansão da busca por essas matérias-primas já provoca conflitos socioambientais e pressiona a crise climática em novas áreas de exploração.

O G20, criado em 1999 como fórum de ministros de finanças e presidentes de bancos centrais, hoje reúne chefes de Estado e governo e se tornou o principal espaço de coordenação econômica global. A cúpula deste fim de semana terá três sessões — duas no sábado e uma no domingo — e deve concluir com uma declaração de líderes. Há países que resistem à adoção desse documento, defendendo apenas uma carta da cúpula, sobretudo após a confirmação de que os Estados Unidos não participarão do encontro. Gough afirmou que a presidência sul-africana trabalha pela manutenção da declaração e que o Brasil apoia “firmemente” essa posição.

Entre os pontos ainda em negociação está a taxação de super-ricos, proposta defendida pela presidência brasileira do G20 no ano passado e que deve voltar ao texto final. O tema será discutido em evento paralelo sobre desigualdade nesta quinta (20). Gough acrescentou que, apesar do peso político do fórum, há esforço para evitar que divergências sobre conflitos internacionais travem o consenso econômico-financeiro. O documento deve trazer referências gerais a princípios e normas internacionais.

Além da declaração de líderes, será publicada uma declaração financeira sobre sustentabilidade da dívida pública e estímulo a investimentos. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chega a Joanesburgo na sexta (21), com reuniões bilaterais previstas, inclusive com Cyril Ramaphosa. No domingo, Lula participa também de encontro do Fórum de Diálogo Índia-Brasil-África do Sul (Ibas). Após a cúpula, o presidente seguirá para Maputo, em Moçambique, em visita de trabalho.

Durante entrevista no Itamaraty, o secretário de África e Oriente Médio, Carlos Sérgio Sobral Duarte, lembrou que Lula assumiu, em 2023, o compromisso de fortalecer a relação com países africanos. Citou viagens e encontros realizados desde então e destacou que a visita a Moçambique coincide com os 50 anos de relações diplomáticas. “É um país que tem uma tradição profunda e extensa no campo da cooperação com o Brasil”, afirmou. A agenda inclui revisão de programas em agricultura, saúde, educação, formação profissional e combate ao crime organizado.

As duas nações articulam ainda a ampliação do comércio e dos investimentos, com a realização de um fórum empresarial que deve reunir entre 150 e 200 empresários. O secretário de Promoção Comercial do Itamaraty, Laudemar Gonçalves de Aguiar Neto, afirmou que o comércio bilateral é reduzido, mas integra um “projeto político” que combina desenvolvimento, capacitação e ciência e tecnologia. Em 2024, o intercâmbio comercial entre Brasil e Moçambique somou US$ 40,5 milhões, com predomínio de exportações brasileiras de carnes de aves, produtos de higiene pessoal e móveis; as importações consistem quase integralmente em tabaco.

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Na segunda (24), Lula se reunirá com o presidente moçambicano, Daniel Chapo, para assinar acordo de cooperação entre academias diplomáticas e avançar em outras negociações técnicas. Ele também participa do encerramento do fórum empresarial e deve receber o título de doutor honoris causa da Universidade Pedagógica de Maputo.

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