Brasil reúne apoio de mais de 80 países para mapa global de transição dos combustíveis fósseis

Brasil reúne apoio de mais de 80 países para mapa global de transição dos combustíveis fósseis
Proposta lançada por Lula na Cúpula de Belém ganha força na COP30, mas governo admite desafios de financiamento e tecnologia/COP30
Publicado em 19/11/2025 às 13:30

Da redação de LexLegal

A iniciativa brasileira para criar um “mapa do caminho” da transição dos combustíveis fósseis – como petróleo, carvão e gás – conquistou apoio formal de mais de 80 países durante a COP30, realizada em Belém. A proposta, apresentada originalmente pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Cúpula de Belém, busca estabelecer diretrizes internacionais para reduzir gradualmente a dependência de combustíveis fósseis e ampliar a adoção de matrizes de energia limpa.

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Durante evento nesta terça-feira (18), a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, celebrou o avanço diplomático, mas ressaltou que a mudança energética exige condições materiais e políticas consistentes. “Isso não se resolve como mágica. É preciso que tenha financiamento, é preciso que tenha escolha tecnológica, é preciso que haja diversificação econômica, que se multipliquem as bases de energia limpa, para que a gente possa fazer esse percurso”, afirmou a ministra, destacando que países em desenvolvimento enfrentam desafios adicionais para implementar a transição.

O governo brasileiro não divulgou a lista completa de nações que aderiram à proposta, mas delegações de Alemanha, Dinamarca, Reino Unido, Quênia, Serra Leoa e Ilhas Marshall manifestaram apoio explícito. Para especialistas em diplomacia climática, a adesão prévia de países da União Europeia e de nações vulneráveis ao aquecimento global indica que a iniciativa pode ganhar corpo durante as negociações multilaterais da COP.

O mapa proposto pelo Brasil pretende consolidar metas e orientações técnicas para que os países reduzam gradualmente a exploração e o uso de combustíveis fósseis, responsáveis por parcela significativa das emissões de gás carbônico. A combustão desses materiais é uma das principais causas do aquecimento global, motivo pelo qual a transição energética se tornou eixo central das conferências climáticas.

No entanto, a complexidade do tema envolve questões de segurança energética, capacidade produtiva e financiamento internacional. Países com grande dependência da exportação de petróleo e carvão têm resistido a compromissos rígidos, enquanto nações com menor capacidade econômica argumentam que a transição exige apoio financeiro e tecnológico para ser viável sem ampliar desigualdades.

As reações dentro da COP30 revelam esse cenário dividido. Movimentos sociais criticaram o desenho da proposta brasileira, afirmando que ele não inclui a participação direta de populações que vivem nas regiões onde ocorrem a exploração e o transporte de combustíveis fósseis. Em nota, o Instituto Internacional Arayara afirmou que há uma contradição entre o discurso do governo e a situação vivida por comunidades impactadas, como povos indígenas, quilombolas e grupos tradicionais que convivem com efeitos ambientais e socioeconômicos da atividade extrativista.

Para essas organizações, a construção de qualquer “mapa do caminho” deve incorporar consultas amplas e mecanismos de proteção territorial, além de considerar as desigualdades históricas enfrentadas pelas comunidades que vivem nas zonas de impacto da exploração de petróleo, carvão e gás. A crítica reforça o debate sobre justiça climática, tema recorrente nas últimas COPs.

A expectativa é que o primeiro bloco de negociações da COP30 seja concluído até esta quarta-feira (19). Nesse conjunto inicial de debates, negociadores avaliam a possibilidade de incluir formalmente a proposta brasileira nas decisões da conferência. O tema, segundo diplomatas presentes no evento, deve gerar discussões intensas entre os países, especialmente em torno do ritmo da transição, das formas de financiamento e da definição de responsabilidades diferenciadas entre nações desenvolvidas e em desenvolvimento.

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A proposta brasileira pode se tornar uma das principais referências políticas da COP30, dependendo do alinhamento entre governos, organismos internacionais, comunidades afetadas e setor privado nas próximas etapas do processo negociador.

SÃO PAULO WEATHER