Brasil teve 407 desastres climáticos entre 1991 e 2024

Brasil teve 407 desastres climáticos entre 1991 e 2024
Estudo apresentado na COP30 aponta aumento explosivo de ciclones e frentes frias e alerta que impactos devem se intensificar na próxima década/Agência Brasil
Publicado em 15/11/2025 às 17:00

Da redação de LexLegal

O Brasil enfrenta uma escalada inédita de desastres climáticos. Um estudo divulgado na COP30, em Belém, mostra que eventos extremos associados a frentes frias, ciclones e ondas de frio aumentaram 19 vezes no país entre 1991 e 2024. Foram 407 desastres registrados no período, com impacto direto em 232 municípios e mais de 1,2 milhão de pessoas afetadas.

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O alerta veio acompanhado de episódios recentes: tornados no Paraná deixaram sete mortos e mais de 700 feridos neste mês. Entre 2021 e 2024, o crescimento de desastres foi de 1.800% em relação à década de 1990 — 44 ocorrências contra uma média histórica de apenas 2,3 casos por década.

O levantamento, produzido pela Aliança Brasileira pela Cultura Oceânica em parceria com a Universidade Federal de São Paulo e a Fundação Grupo Boticário, aponta o aquecimento global como principal fator da intensificação dos fenômenos.

Segundo o pesquisador Ronaldo Cristofoletti, professor da Unifesp e membro de redes internacionais de conservação da natureza, o aumento das temperaturas do planeta desequilibra sistemas climáticos e cria condições para eventos cada vez mais graves.
“A cada vez que aquece o planeta mais, isso gera um estresse térmico em todo o planeta e isso implica nas regiões polares, né? No nosso caso lá na Antártica. E aí muito mais massas de ar frio vem”, afirmou.
Ele explica que o ingresso frequente dessas massas intensifica ciclones e frentes frias: “A frequência tá ficando cada vez mais forte. E aí o que acontece é que isso leva a uma série, né, de desastres e de perdas.”

Impacto crescente e infraestrutura despreparada

Os estados mais atingidos são Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul — justamente regiões expostas a frentes frias e ciclones subtropicais. Somente nos últimos anos, mais de 27 mil pessoas ficaram desalojadas ou desabrigadas.

As cidades brasileiras, porém, não foram planejadas para o clima que já está em curso. Cristofoletti chama atenção para a urgência de adaptação estrutural:
“As nossas ruas estão preparadas, os nossos prédios estão preparados? A estrutura das pontes para enfrentar ciclone estão preparadas? E das estradas e das casas?”, questiona.

Ele ressalta que soluções baseadas na natureza — como preservação e restauração de restingas, manguezais e vegetação nativa — são medidas essenciais:
“Quando possível, restaurar as áreas naturais porque elas nos protegem… Toda vegetação natural protege nesses momentos.”

Gás de efeito estufa, COP30 e a janela curta de ação

Além da adaptação imediata, o estudo reforça a necessidade de ações estruturais de mitigação, tema central das negociações da COP30. Para Cristofoletti, reduzir emissões e financiar ações climáticas é indispensável, mas os efeitos não serão sentidos imediatamente.
“A mudança do clima… vai continuar crescendo nas próximos 10, 15 anos mesmo que a gente faça tudo o que tenha que fazer agora”, afirmou.
Ele compara o sistema climático a um forno recém-desligado: “Demora um tempo para dissipar aquela energia… Isso significa mais impacto na vida das pessoas.”

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Prejuízo bilionário e setores mais afetados

Os eventos extremos resultaram em R$ 2,74 bilhões em prejuízos — número que não inclui danos difusos como perda de biodiversidade ou impactos futuros.
Os serviços públicos de energia, transporte e distribuição foram os mais atingidos. No setor privado, a agricultura registrou as maiores perdas, especialmente em regiões dependentes de monoculturas vulneráveis a ventos fortes, chuvas intensas e geadas fora de época.

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