Desemprego atinge menor nível em 13 anos e 11 unidades da federação registram recorde de baixa

Da redação de LexLegal
O mercado de trabalho brasileiro atravessa uma fase rara na série histórica do IBGE. Dez estados e o Distrito Federal fecharam o terceiro trimestre de 2025 com as menores taxas de desocupação desde 2012, ano em que começou o levantamento trimestral da Pnad Contínua. O resultado acompanha o cenário nacional: o país chegou a 5,6% no período, o menor índice já apurado desde o início da pesquisa.
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Os estados que bateram recorde de baixa foram Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Sergipe e Tocantins. Mesmo fora dessa lista, Santa Catarina segue como destaque absoluto, empatada com Mato Grosso na menor desocupação do país: 2,3%. A variação em relação ao trimestre anterior (2,2%) foi classificada pelo IBGE como estabilidade.
O que explica as diferenças regionais
Os resultados reforçam desequilíbrios já conhecidos na economia brasileira. O analista da pesquisa, William Kratochwill, avalia que cada estado opera com estruturas produtivas distintas, o que influencia diretamente o comportamento do emprego. Segundo ele, “a estrutura econômica dessas regiões é a principal explicação para terem números tão baixos, porque cada um tem uma característica diferente”.
Kratochwill destaca o caso de Santa Catarina, onde a participação da indústria no emprego formal é particularmente alta. Ao comentar a situação da região Nordeste, o pesquisador lembra que o histórico de menor desenvolvimento econômico e a baixa escolarização continuam limitando o avanço do mercado de trabalho. Para ele, “isso talvez seja um empecilho para que se desenvolva mais economicamente, uma vez que falta mão de obra qualificada para a economia crescer”.
A Pnad Contínua acompanha trabalhadores com 14 anos ou mais e considera ocupadas todas as formas de trabalho — formal, informal, intermitente ou por conta própria. Só é classificada como desocupada a pessoa que buscou uma oportunidade nos 30 dias anteriores à entrevista. A cada trimestre, o IBGE visita 211 mil domicílios em todo o país, garantindo comparabilidade entre estados e períodos.
Taxa de desocupação por unidade da federação
2,3% – Santa Catarina
2,3% – Mato Grosso
2,6% – Rondônia
2,6% – Espírito Santo
2,9% – Mato Grosso do Sul
3,5% – Paraná
3,8% – Tocantins
4,1% – Minas Gerais
4,1% – Rio Grande do Sul
4,3% – Goiás
4,7% – Roraima
5,2% – São Paulo
5,6% – Brasil
6,1% – Maranhão
6,4% – Ceará
6,5% – Pará
7,0% – Paraíba
7,4% – Acre
7,5% – Piauí
7,5% – Rio Grande do Norte
7,5% – Rio de Janeiro
7,6% – Amazonas
7,7% – Alagoas
7,7% – Sergipe
8,0% – Distrito Federal
8,5% – Bahia
8,7% – Amapá
10% – Pernambuco
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O levantamento mostra que oito estados têm percentual de trabalhadores com carteira assinada acima da média nacional (74,4%). O primeiro colocado, Santa Catarina, registra 88% de empregados formais no setor privado. Na outra ponta, sete estados não atingem 60% de formalização, com destaque para Maranhão e Piauí.