Machado Meyer e Pinheiro Neto atuam na emissão de R$ 1,5 bi em debêntures da Eldorado

Machado Meyer e Pinheiro Neto atuam na emissão de R$ 1,5 bi em debêntures da Eldorado
A Eldorado, uma das maiores produtoras de celulose do país, opera em Três Lagoas (MS) e exporta para mais de 40 países/Eldorado Brasil Celulose
Publicado em 11/11/2025 às 11:30

Da redação de LexLegal

A Eldorado Brasil Celulose concluiu uma captação de R$ 1,5 bilhão por meio de sua quinta emissão de debêntures, em operação estruturada pelos coordenadores Bradesco BBI, Itaú BBA, XP Investimentos, BTG Pactual, BB-BI, Banco Safra e J. Safra Assessoria Financeira. A transação, enquadrada na Resolução CVM 160, que regula as ofertas públicas de valores mobiliários, e na Lei 12.431, que permite incentivos fiscais a títulos destinados a projetos de infraestrutura, reforça o apetite do mercado por operações de dívida corporativa mesmo em um ambiente de juros ainda elevados.

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A emissão envolve debêntures simples, não conversíveis em ações, e classificadas como sem garantia real — ou seja, títulos de dívida em que a empresa se compromete a pagar o investidor, mas sem oferta de garantias específicas vinculadas ao ativo. Esse tipo de papel tem sido comum em empresas com forte histórico operacional e bom nível de governança.

O objetivo da captação é reembolsar gastos e dívidas relacionadas ao projeto logístico da companhia, que prevê a migração de parte do transporte da celulose do modal rodoviário para o ferroviário. Na prática, isso significa menos caminhões nas estradas, menor emissão de poluentes e maior eficiência no escoamento da produção. Segundo estimativas divulgadas pela empresa, a mudança pode reduzir até 120 mil toneladas de CO₂ por ano, além de gerar mais de mil empregos diretos e quatro mil indiretos durante a execução das obras.

A Eldorado, uma das maiores produtoras de celulose do país, opera em Três Lagoas (MS) e exporta para mais de 40 países. A companhia se destaca também pelo modelo de gestão florestal baseado exclusivamente em áreas plantadas de eucalipto e pelo uso de biomassa para autossuficiência energética — um dos pilares do setor na transição para uma economia de baixa emissão.

A operação contou com duas bancas de grande porte. O Machado Meyer Advogados assessorou os bancos coordenadores, com equipe formada pelos sócios Marcelo Lucon e Raphael Oliveira Zono, além dos advogados Julia Gama Ribeiro Leite Saad, Mario Gomez Carrera Neto e Vitor Pisarro Bradley de AraujoA Eldorado foi representada pelo Pinheiro Neto Advogados, tradicionalmente presente em operações de mercado de capitais e infraestrutura.

Para os coordenadores, a utilização do rito automático de registro — procedimento que dispensa análise prévia da CVM quando o emissor cumpre requisitos regulatórios — permitiu uma colocação mais rápida dos títulos, favorecendo o timing de mercado e a estratégia financeira da companhia.

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A emissão também reforça o movimento de empresas do setor de papel e celulose em ampliar sua participação no mercado de capitais, diversificando fontes de financiamento e aumentando o uso de instrumentos alinhados a metas ambientais e logísticas. No Brasil, operações enquadradas na Lei 12.431 ganham força especialmente em períodos de pressão cambial e volatilidade externa, pois oferecem alternativas competitivas de custo e prazo.

SÃO PAULO WEATHER