Reforma tributária: 72% das empresas ainda não estão prontas para as novas regras

Levantamento mostra atrasos na preparação para a entrada em vigor das primeiras obrigações em janeiro

Reforma tributária: 72% das empresas ainda não estão prontas para as novas regras
Novas regras do IBS e da CBS exigem atualização de sistemas fiscais e revisão de processos internos das empresas/Rovena Rosa/Agência Brasil
Publicado em 01/12/2025 às 8:00

Da redação de LexLegal

A um mês da entrada em vigor das primeiras exigências práticas da reforma tributária, 72% das empresas de médio e grande porte afirmam não estar preparadas para adaptar seus processos internos às novas regras de apuração e declaração dos tributos sobre consumo. A fase inicial da transição começa em 1º de janeiro, e grande parte das companhias ainda não estruturou planos de adequação.

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O levantamento, realizado pela empresa de tecnologia V360 com 355 organizações dos setores de varejo, indústria, construção, agronegócio e tecnologia, indica que 33,2% sequer iniciaram discussões internas sobre os impactos da reforma. Outras 38,6% só começaram análises preliminares. Apenas 28,1% afirmaram ter uma estratégia estruturada de adaptação. A maior parte das empresas consultadas está no Sudeste (68,2%).

A reforma tributária, aprovada em 2023 e regulamentada em 2024, unifica tributos sobre consumo como PIS, Cofins, ICMS e ISS. Em substituição, passam a valer o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), de gestão estadual e municipal, e a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), administrada pelo governo federal. A implementação será gradual: em 2026, entra em vigor uma alíquota de teste de 0,9% para a CBS e 0,1% para o IBS; em 2027, haverá extinção do PIS/Cofins e elevação da CBS; e a transição completa está prevista até 2033.

O estudo aponta que as principais dificuldades estão relacionadas ao recebimento e conferência das novas notas fiscais, que passam a conter cerca de 200 novos campos. A V360 alerta que companhias que não realizarem a transição podem ter faturamento bloqueado e enfrentar dificuldades para pagar fornecedores, com impactos diretos no fluxo de caixa e na continuidade das operações. O relatório também identifica que a maioria das empresas está mais focada na emissão das notas do que no processo de ingresso fiscal — etapa que reúne o recebimento, conferência e pagamento das notas emitidas por terceiros.

A pesquisa mostra ainda que a adoção das duplicatas escriturais, registro eletrônico obrigatório para operações comerciais, segue atrasada: 32,7% das empresas não iniciaram a adaptação, 55,8% estão em fase inicial e apenas 11,5% já operam de forma automatizada. Além disso, 47,9% trabalham com processos fiscais apenas parcialmente estruturados, com pouca automação; 13,1% ainda operam com controles manuais; e só 38,9% possuem sistemas integrados de gestão e conciliação eletrônica.

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Outro dado relevante é que 67% das companhias não usam ferramentas de validação automática de documentos fiscais, o que amplia o risco de erros, inconsistências e atrasos. A V360 afirma que a falta de previsão orçamentária para ajustes tributários em 2025 pode pressionar a demanda por consultorias e sistemas de automação nos próximos meses.

SÃO PAULO WEATHER