Poupança tem pior outubro desde 2021 e registra retirada líquida de R$ 9,7 bilhões

Da redação de LexLegal
O movimento de saques voltou a superar as entradas na caderneta de poupança em outubro, confirmando uma tendência de perda de atratividade do investimento mais tradicional do país. Dados divulgados nesta sexta-feira (7) pelo Banco Central mostram que houve retirada líquida de R$ 9,7 bilhões no mês, resultado da diferença entre R$ 351,9 bilhõesem depósitos e R$ 361,6 bilhões em saques.
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Os rendimentos creditados somaram R$ 6,4 bilhões, mantendo o saldo total da poupança pouco acima de R$ 1 trilhão. Este é o quarto mês consecutivo de desempenho negativo. Ao longo de 2025, o resgate líquido acumulado já chega a R$ 88,1 bilhões, em linha com o comportamento recente da série histórica: em 2023 e 2024, a poupança também fechou no vermelho, com retiradas líquidas de R$ 87,8 bilhões e R$ 15,5 bilhões, respectivamente.
Por que os saques aumentaram?
A manutenção da Selic em patamar elevado explica parte significativa do movimento. Investimentos como CDBs, Tesouro Direto e fundos de renda fixa passaram a oferecer rendimentos reais mais altos, reduzindo o apelo da poupança. O Comitê de Política Monetária (Copom) interrompeu, em julho, o ciclo de aumentos iniciado em 2024, mas segue mantendo a taxa em 15% ao ano, em esforço para assegurar o cumprimento da meta de inflação de 3%.
Taxas de juros elevadas encarecem o crédito e reduzem o consumo, ao mesmo tempo em que estimulam a migração de recursos para produtos financeiros de maior retorno. O efeito é visível: ao longo dos últimos anos, a poupança teve menos entradas e mais saídas, mesmo permanecendo a aplicação mais utilizada pelas famílias de baixa renda.
Inflação pressionando
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial, acumula alta de 5,17% nos 12 meses encerrados em setembro. Com a inflação rodando acima da meta e a Selic muito superior ao rendimento da poupança, a rentabilidade real do produto segue negativa em vários momentos do ano — outro fator que incentiva o resgate de valores.
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Apesar do cenário adverso, a poupança continua sendo relevante para a liquidez imediata das famílias e representa uma reserva de emergência para milhões de brasileiros. Especialistas ressaltam que a retomada de depósitos dependerá da trajetória da taxa básica de juros, do nível de emprego e do comportamento da inflação nos próximos meses.