Casos de intoxicação por metanol sobem para 58; mortes chegam a 15 no Brasil

Casos de intoxicação por metanol sobem para 58; mortes chegam a 15 no Brasil
Equipes da Polícia Científica e da Vigilância Sanitária intensificam fiscalizações em todo o país após mortes causadas por bebidas adulteradas com metanol/Governo de SP
Publicado em 25/10/2025 às 15:00

Da redação de LexLegal

Ministério da Saúde atualizou os números da intoxicação por metanol em bebidas alcoólicas adulteradas no país. De acordo com o boletim, 58 casos foram confirmados e outros 50 permanecem em investigação, enquanto 635 notificações foram descartadas após análise laboratorial.

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O total de mortes chegou a 15, sendo nove em São Pauloseis no Paraná e seis em Pernambuco — este último estado também registra quatro óbitos ainda sob apuração. No total, nove mortes seguem em investigação, incluindo casos em Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e São Paulo.

Outras 32 notificações de óbito foram descartadas por ausência de correlação com a intoxicação.

São Paulo lidera em número de casos

estado de São Paulo concentra a maior parte das ocorrências, com 44 casos confirmados e 14 sob investigação, segundo o Ministério. O Paraná aparece em seguida, com seis confirmações, e Pernambuco, com cinco. Há ainda registros pontuais no Rio Grande do Sul, Mato Grosso e Tocantins.

O crescimento de casos em diferentes regiões reforça o alerta das autoridades sanitárias sobre o comércio ilegal de bebidas alcoólicas contaminadas com metanol, uma substância altamente tóxica e inadequada para consumo humano, utilizada na indústria como combustível, solvente e agente químico.

Entenda o risco

metanol é um álcool industrial que, ao ser ingerido, é rapidamente absorvido pelo organismo e transformado em formaldeído e ácido fórmico, compostos que causam danos severos ao sistema nervoso central, fígado, rins e visão.

Segundo especialistas, a intoxicação pode ocorrer mesmo em pequenas quantidades, provocando sintomas como dor de cabeça, náuseas, tontura, fraqueza, visão turva, convulsões e coma.

exposição prolongada ou em alta dose pode levar à cegueira irreversível ou morte, geralmente entre 12 e 36 horas após a ingestão.

Origem das investigações

Os casos de 2025 começaram a ser registrados após operações policiais em São Paulo e no Paraná, que identificaram uma rede de falsificação de bebidas. Segundo a Secretaria de Segurança Pública paulista, a investigação revelou a utilização de álcool combustível adulterado com metanol por distribuidoras clandestinas.

A adulteração envolvia marcas conhecidas de gin e vodca, vendidas em adegas e comércios de bairro sem registro sanitário. Em alguns casos, a bebida era armazenada em galões de combustível e rotulada de forma fraudulentapara simular autenticidade.

Ação integrada e fiscalização

Após o aumento dos casos, o Ministério da Saúde intensificou o monitoramento das notificações e articulou ações com a Polícia Federal, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e secretarias estaduais de saúde.

A Anvisa recomenda que os consumidores verifiquem a procedência das bebidas, evitando produtos sem rótulo, com lacres danificados ou preço muito abaixo do mercado.

“O metanol é uma substância extremamente perigosa. Não há tratamento preventivo eficaz; por isso, a principal medida é evitar o consumo de bebidas de procedência duvidosa”, alerta a nota do Ministério.

Casos suspeitos devem ser notificados imediatamente ao Centro de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox) ou à Vigilância Sanitária local.

Impacto social e criminal

Além das consequências de saúde pública, a produção e venda de bebidas adulteradas com metanol configuram crime contra a saúde pública, previsto no artigo 272 do Código Penal Brasileiro, com pena de até 8 anos de reclusão.

O Ministério Público e as Polícias Civis de São Paulo e Paraná também investigam a ligação das redes de falsificação com organizações criminosas, diante da sofisticação das operações e da distribuição em larga escala.

Situação por estados

EstadoCasos confirmadosEm investigaçãoMortes confirmadas
São Paulo44149
Paraná626
Pernambuco546
Rio Grande do Sul1
Mato Grosso1
Tocantins1

Orientações à população

Autoridades de saúde recomendam que qualquer suspeita de bebida adulterada seja comunicada às autoridades. O produto deve ser mantido lacrado para análise toxicológica.

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A população pode registrar denúncias de venda ilegal por meio dos canais da Anvisa, das secretarias estaduais ou pelo Disque Denúncia (181). A pasta também reforça a importância da educação sanitária e da rastreabilidade de bebidas, com incentivo ao uso de selos de controle e QR Codes verificáveis para evitar fraudes.

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