Casos de intoxicação por metanol sobem para 58; mortes chegam a 15 no Brasil

Da redação de LexLegal
O Ministério da Saúde atualizou os números da intoxicação por metanol em bebidas alcoólicas adulteradas no país. De acordo com o boletim, 58 casos foram confirmados e outros 50 permanecem em investigação, enquanto 635 notificações foram descartadas após análise laboratorial.
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O total de mortes chegou a 15, sendo nove em São Paulo, seis no Paraná e seis em Pernambuco — este último estado também registra quatro óbitos ainda sob apuração. No total, nove mortes seguem em investigação, incluindo casos em Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e São Paulo.
Outras 32 notificações de óbito foram descartadas por ausência de correlação com a intoxicação.
São Paulo lidera em número de casos
O estado de São Paulo concentra a maior parte das ocorrências, com 44 casos confirmados e 14 sob investigação, segundo o Ministério. O Paraná aparece em seguida, com seis confirmações, e Pernambuco, com cinco. Há ainda registros pontuais no Rio Grande do Sul, Mato Grosso e Tocantins.
O crescimento de casos em diferentes regiões reforça o alerta das autoridades sanitárias sobre o comércio ilegal de bebidas alcoólicas contaminadas com metanol, uma substância altamente tóxica e inadequada para consumo humano, utilizada na indústria como combustível, solvente e agente químico.
Entenda o risco
O metanol é um álcool industrial que, ao ser ingerido, é rapidamente absorvido pelo organismo e transformado em formaldeído e ácido fórmico, compostos que causam danos severos ao sistema nervoso central, fígado, rins e visão.
Segundo especialistas, a intoxicação pode ocorrer mesmo em pequenas quantidades, provocando sintomas como dor de cabeça, náuseas, tontura, fraqueza, visão turva, convulsões e coma.
A exposição prolongada ou em alta dose pode levar à cegueira irreversível ou morte, geralmente entre 12 e 36 horas após a ingestão.
Origem das investigações
Os casos de 2025 começaram a ser registrados após operações policiais em São Paulo e no Paraná, que identificaram uma rede de falsificação de bebidas. Segundo a Secretaria de Segurança Pública paulista, a investigação revelou a utilização de álcool combustível adulterado com metanol por distribuidoras clandestinas.
A adulteração envolvia marcas conhecidas de gin e vodca, vendidas em adegas e comércios de bairro sem registro sanitário. Em alguns casos, a bebida era armazenada em galões de combustível e rotulada de forma fraudulentapara simular autenticidade.
Ação integrada e fiscalização
Após o aumento dos casos, o Ministério da Saúde intensificou o monitoramento das notificações e articulou ações com a Polícia Federal, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e secretarias estaduais de saúde.
A Anvisa recomenda que os consumidores verifiquem a procedência das bebidas, evitando produtos sem rótulo, com lacres danificados ou preço muito abaixo do mercado.
“O metanol é uma substância extremamente perigosa. Não há tratamento preventivo eficaz; por isso, a principal medida é evitar o consumo de bebidas de procedência duvidosa”, alerta a nota do Ministério.
Casos suspeitos devem ser notificados imediatamente ao Centro de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox) ou à Vigilância Sanitária local.
Impacto social e criminal
Além das consequências de saúde pública, a produção e venda de bebidas adulteradas com metanol configuram crime contra a saúde pública, previsto no artigo 272 do Código Penal Brasileiro, com pena de até 8 anos de reclusão.
O Ministério Público e as Polícias Civis de São Paulo e Paraná também investigam a ligação das redes de falsificação com organizações criminosas, diante da sofisticação das operações e da distribuição em larga escala.
Situação por estados
| Estado | Casos confirmados | Em investigação | Mortes confirmadas |
|---|---|---|---|
| São Paulo | 44 | 14 | 9 |
| Paraná | 6 | 2 | 6 |
| Pernambuco | 5 | 4 | 6 |
| Rio Grande do Sul | 1 | – | – |
| Mato Grosso | 1 | – | – |
| Tocantins | 1 | – | – |
Orientações à população
Autoridades de saúde recomendam que qualquer suspeita de bebida adulterada seja comunicada às autoridades. O produto deve ser mantido lacrado para análise toxicológica.
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A população pode registrar denúncias de venda ilegal por meio dos canais da Anvisa, das secretarias estaduais ou pelo Disque Denúncia (181). A pasta também reforça a importância da educação sanitária e da rastreabilidade de bebidas, com incentivo ao uso de selos de controle e QR Codes verificáveis para evitar fraudes.