Polícia investiga assassinato de dois homens em situação de rua sob viaduto no Rio

Polícia investiga assassinato de dois homens em situação de rua sob viaduto no Rio
Defensoria Pública e movimentos culturais pedem justiça e dignidade às vítimas/Agência Brasil
Publicado em 18/10/2025 às 15:47

Da redação de LexLegal

A Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) instaurou investigação para apurar o ataque a tiros contra três homens em situação de rua, ocorrido na madrugada desta sexta-feira (17), sob o viaduto de Irajá, na zona norte do Rio de Janeiro. Segundo as primeiras informações, os atiradores desceram de um carro e abriram fogo contra o grupo que dormia no local, onde moravam com outras pessoas em condição de vulnerabilidade.

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Dois homens morreram no local e um terceiro foi socorrido em estado grave. Ele foi identificado como Jaílton Matias Anselmo, de 37 anos, e levado ao Hospital Getúlio Vargas, na Penha, onde segue internado.

Equipes do Batalhão de Irajá foram acionadas e isolaram a área para o trabalho da perícia. Um dos mortos, Ethervaldo Bispo dos Santos, de 52 anos, natural de Salvador, vivia sob o viaduto havia mais de dez anos. Vítima de sequelas de um acidente vascular cerebral isquêmico, Ethervaldo era conhecido na comunidade por sua ligação com a música e por participar dos ensaios do Movimento Afro Cultural Ilu Odara, um bloco inspirado nos ritmos de samba afro e reggae.

O outro homem assassinado ainda não foi identificado até o fechamento desta reportagem.

Repercussão e homenagem

idealizador do Movimento Afro Cultural Ilu OdaraLucas Xarará, usou as redes sociais do grupo para lamentar o crime e denunciar a violência contra pessoas em situação de rua.

“Hoje, nós do Movimento Afro Batikum, fomos surpreendidos pela notícia de mais um atentado à população em situação de rua, desta vez, aos moradores que sempre nos acolheram sob o metrô de Irajá.”

Segundo Xarará, foi a Secretaria Municipal de Assistência Social do Rio de Janeiro quem informou ao movimento sobre a morte de Ethervaldo, conhecido como Bahia.

“Ele não possuía documentação e familiares no Rio. Em momentos de troca conosco, dizia que era natural de Salvador.”

O líder do movimento fez um apelo público para localizar familiares ou amigos que possam reconhecê-lo:

“Fazemos aqui um apelo a todos amigos, apoiadores e autoridades, que nos ajudem a encontrar familiares ou pessoas que possam reconhecê-lo. Queremos garantir um sepultamento digno, preservar sua memória e prestar a ele o respeito que merece.”

“Que este gesto de acolhida e luta seja também uma forma de denunciar a violência e o abandono que recai sobre quem menos pode se defender. Se você tiver qualquer informação, por favor entre em contato com o Movimento Afro Batikum ou com os órgãos competentes.”

Atuação da Defensoria e acompanhamento do caso

Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro também se mobilizou. A subcoordenadora do Núcleo de Defesa dos Direitos Humanos (Nudedh)Cristiane Xavier, acompanhou as diligências na Delegacia de Homicídios, no Hospital Getúlio Vargas e no Instituto Médico Legal (IML).

O órgão informou que vai enviar ofícios às autoridades competentes para assegurar a preservação de imagens de câmeras de segurança instaladas próximas ao local do crime. O objetivo é auxiliar na identificação dos responsáveis pelos disparos.

Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) também manifestou repúdio à execução dos moradores de rua. A deputada Dani Monteiro, presidente da comissão, classificou o episódio como expressão de práticas “higienistas” e de intolerância social.

“Temos acompanhado um avanço perigoso de práticas justiceiras e higienistas no Rio. A ausência de políticas públicas sérias, o aumento no número de pessoas em situação de rua e de abrigos insuficientes jamais pode justificar que alguém saia atirando contra essas pessoas.”

Violência e vulnerabilidade social

O crime evidencia o agravamento da violência urbana e o abandono das políticas de proteção à população em situação de rua no Rio de Janeiro. Dados da própria prefeitura mostram crescimento no número de pessoas sem moradia fixa, enquanto os abrigos públicos seguem operando acima da capacidade.

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As autoridades de segurança ainda não divulgaram informações sobre os suspeitos ou possíveis motivações do ataque. O caso segue sob investigação da Delegacia de Homicídios da Capital, que busca imagens, testemunhos e registros de veículos na região.

A tragédia sob o viaduto de Irajá reacende o debate sobre a criminalização da pobreza e a necessidade de políticas públicas efetivas de acolhimento e proteção social.

SÃO PAULO WEATHER