PGR pede reabertura de inquérito sobre interferência de Bolsonaro na Polícia Federal

Da redação de LexLegal
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) a reabertura do inquérito da Polícia Federal (PF) que investigou o ex-presidente Jair Bolsonaro por possível interferência na corporação.
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O pedido reacende um dos episódios mais polêmicos da gestão Bolsonaro e marca uma nova etapa nas apurações que envolvem a atuação do ex-chefe do Executivo em investigações policiais. Em março de 2022, ainda durante o governo, a PF havia concluído que não houve ingerência política e recomendou o arquivamento do caso.
A investigação teve início após a demissão de Sergio Moro, então ministro da Justiça, que afirmou ter deixado o cargo por discordar da substituição do diretor-geral da PF, Maurício Valeixo, seu indicado. À época, Moro sugeriu que o presidente tentava intervir nas atividades da Polícia Federal para proteger aliados políticos.
Novo pedido de apuração
No documento enviado ao STF, Gonet argumenta que é necessário aprofundar as investigações para esclarecer se houve “efetivamente interferências ou tentativas de interferências” nas atividades da PF. O procurador-geral cita conversas de WhatsApp trocadas entre Bolsonaro e Moro em 2020, nas quais o então presidente teria informado, em 22 de abril, que Valeixo seria exonerado.
No dia seguinte, Bolsonaro compartilhou uma reportagem sobre investigações da PF envolvendo deputados de sua base de apoio, o que reforçou as suspeitas de atuação política na corporação.
“Imprescindível, portanto, que se verifique com maior amplitude se efetivamente houve interferências ou tentativas de interferências nas investigações apontadas nos diálogos e no depoimento do ex-ministro, mediante o uso da estrutura do Estado e a obtenção clandestina de dados sensíveis”, afirmou Gonet no parecer.
Conexões com outros inquéritos
A Procuradoria-Geral da República (PGR) também pediu que a Polícia Federal investigue possíveis conexões entre o episódio e outras apurações em curso, incluindo os casos da chamada Abin Paralela, a propagação de desinformação e o uso do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) em ações relacionadas à tentativa de golpe de Estado.
O pedido será analisado pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no STF, que decidirá se o inquérito será reaberto.
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A decisão de Gonet ocorre em um momento de retomada de investigações sobre os bastidores do governo anterior e o uso de estruturas estatais em interesses pessoais e políticos. Caso o inquérito seja reaberto, a Polícia Federal deverá realizar novas diligências e cruzamentos de dados com os inquéritos já em andamento na Suprema Corte.