PGR pede reabertura de inquérito sobre interferência de Bolsonaro na Polícia Federal

PGR pede reabertura de inquérito sobre interferência de Bolsonaro na Polícia Federal
Decisão de Moraes aplica ao Ministério Público regra já usada para o Judiciário/Agência Brasil
Publicado em 16/10/2025 às 13:00

Da redação de LexLegal

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) a reabertura do inquérito da Polícia Federal (PF) que investigou o ex-presidente Jair Bolsonaro por possível interferência na corporação.

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O pedido reacende um dos episódios mais polêmicos da gestão Bolsonaro e marca uma nova etapa nas apurações que envolvem a atuação do ex-chefe do Executivo em investigações policiais. Em março de 2022, ainda durante o governo, a PF havia concluído que não houve ingerência política e recomendou o arquivamento do caso.

A investigação teve início após a demissão de Sergio Moro, então ministro da Justiça, que afirmou ter deixado o cargo por discordar da substituição do diretor-geral da PF, Maurício Valeixo, seu indicado. À época, Moro sugeriu que o presidente tentava intervir nas atividades da Polícia Federal para proteger aliados políticos.

Novo pedido de apuração

No documento enviado ao STF, Gonet argumenta que é necessário aprofundar as investigações para esclarecer se houve “efetivamente interferências ou tentativas de interferências” nas atividades da PF. O procurador-geral cita conversas de WhatsApp trocadas entre Bolsonaro e Moro em 2020, nas quais o então presidente teria informado, em 22 de abril, que Valeixo seria exonerado.

No dia seguinte, Bolsonaro compartilhou uma reportagem sobre investigações da PF envolvendo deputados de sua base de apoio, o que reforçou as suspeitas de atuação política na corporação.

“Imprescindível, portanto, que se verifique com maior amplitude se efetivamente houve interferências ou tentativas de interferências nas investigações apontadas nos diálogos e no depoimento do ex-ministro, mediante o uso da estrutura do Estado e a obtenção clandestina de dados sensíveis”, afirmou Gonet no parecer.

Conexões com outros inquéritos

Procuradoria-Geral da República (PGR) também pediu que a Polícia Federal investigue possíveis conexões entre o episódio e outras apurações em curso, incluindo os casos da chamada Abin Paralela, a propagação de desinformação e o uso do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) em ações relacionadas à tentativa de golpe de Estado.

O pedido será analisado pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no STF, que decidirá se o inquérito será reaberto.

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A decisão de Gonet ocorre em um momento de retomada de investigações sobre os bastidores do governo anterior e o uso de estruturas estatais em interesses pessoais e políticos. Caso o inquérito seja reaberto, a Polícia Federal deverá realizar novas diligências e cruzamentos de dados com os inquéritos já em andamento na Suprema Corte.


SÃO PAULO WEATHER