Índice de Desenvolvimento Sustentável das Cidades sobe, mas Brasil segue em nível médio

Índice de Desenvolvimento Sustentável das Cidades sobe, mas Brasil segue em nível médio
O IDSC-BR 2025 mostra avanço no desenvolvimento sustentável das cidades brasileiras, mas reforça desigualdades regionais entre Norte, Nordeste e o restante do país/Agência Brasil
Publicado em 17/10/2025 às 12:30

Da redação de LexLegal

Índice de Desenvolvimento Sustentável das Cidades (IDSC-BR) 2025, divulgado em Brasília, mostra que o Brasil apresentou melhora no desempenho geral, atingindo 49,9 pontos em uma escala de zero a 100. O resultado representa avanço em relação ao levantamento de 2024, quando a média nacional foi de 46,7 pontos, mas ainda coloca o país em uma faixa considerada intermediária no ranking global de sustentabilidade.

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“Isso é uma grande notícia para o país. Onde vivem 90% da população brasileira, nós estamos conseguindo ter uma inflexão, pela primeira vez em dez anos”, destacou Jorge Abrahão, diretor-presidente do Instituto Cidades Sustentáveis, responsável pelo estudo.

O índice avalia os avanços e desafios das cidades brasileiras no cumprimento dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da ONU, que abrangem metas como erradicação da pobreza, igualdade de gênero, educação de qualidade e combate às mudanças climáticas.

Melhorias e desigualdades regionais

De acordo com o levantamento, 47% dos municípios brasileiros alcançaram classificação média, enquanto 45,7%ficaram na faixa baixa. O número de cidades com nível muito baixo caiu para 3,8%, e 3% obtiveram classificação alta. Nenhuma cidade brasileira, porém, atingiu o patamar muito alto.

A análise mostra grandes disparidades regionais, especialmente entre as regiões Norte e Nordeste, que ainda enfrentam os maiores desafios para alcançar indicadores sustentáveis.

“A gente observa que o Norte e o Nordeste do país têm grandes desafios”, afirmou Abrahão.

Os melhores desempenhos entre as grandes cidades ficaram com São José dos Campos (58,3 pontos)São Paulo (57,9) e Brasília (57,6). Já os piores índices foram observados em Belém (40,1)Maceió (41,7) e São Luís (42,2).

O IDSC-BR disponibiliza uma plataforma interativa online, que permite consultar dados por município, estado, bioma ou ODS específico, além de visualizar rankings e mapas que facilitam a comparação entre regiões.

Agenda 2030 e metas globais

Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) fazem parte da Agenda 2030, plano global criado pela Organização das Nações Unidas (ONU) e adotado por 193 países em 2015. O compromisso busca equilibrar crescimento econômico, inclusão social e preservação ambiental, garantindo o desenvolvimento sustentável no longo prazo.

Durante o lançamento do relatório, o secretário-executivo da Comissão Nacional para os ODS, Lavito Bacarissa, destacou que a Agenda 2030 deve ser vista como instrumento de gestão local.

“Quando a gente fala com gestoras e gestores municipais, a gente fala da Agenda 2030 como um instrumento importante de desenvolvimento daquele território, com uma lógica de objetivos, metas e indicadores”, explicou.

Declaração das Cidades pelo Clima

Durante o evento, a Frente Nacional de Prefeitos e Prefeitas (FNP) lançou a Declaração das Cidades pelo Clima, documento que convoca municípios brasileiros a adotar dez ações urgentes para enfrentar a emergência climática, a perda de biodiversidade e as desigualdades sociais.

As medidas incluem gestão de riscos climáticosaumento de áreas verdespromoção da agricultura localeducação ambientalcompra pública sustentável e tratamento adequado de resíduos sólidos.

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Os municípios poderão aderir voluntariamente ao texto até a realização da COP30, que ocorrerá em Belém (PA), em novembro de 2025.

“Assim a gente consegue avançar para ter esse olhar sobre as cidades, como elas estão e como a gente consegue estimular essa troca entre as cidades”, concluiu Abrahão.


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