Líderes mundiais anunciam cessar-fogo em Gaza após libertação de reféns israelenses

Da redação de LexLegal
Em uma cúpula internacional realizada nesta segunda-feira (13) na cidade egípcia de Sharm El-Sheik, líderes de mais de vinte países assinaram o acordo de cessar-fogo na Faixa de Gaza, encerrando oficialmente o conflito entre Israel e o grupo Hamas. O encontro ocorreu sem a presença de representantes israelenses ou do grupo palestino, mas contou com a participação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, principal articulador do pacto.
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O documento foi firmado por Trump e pelos líderes do Egito (Abdul Fatah al-Sisi), Turquia (Recep Tayyip Erdogan) e Catar (Tamim bin Hamad Al Thani) — países que atuaram como mediadores nas negociações. Também participaram o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, o presidente da França, Emmanuel Macron, o premiê britânico Keir Starmer e a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni.
Durante a cerimônia, Trump declarou que o cessar-fogo representa o início de uma nova era no Oriente Médio.
“Juntos, conseguimos fazer o que todos disseram que era impossível. As pessoas não acreditariam que conseguiríamos a paz no Oriente Médio (…) Agora, a reconstrução [de Gaza] começa”, afirmou o presidente americano.
A assinatura do acordo ocorre poucas horas após o Hamas libertar os últimos 20 reféns israelenses que permaneciam em cativeiro, resultado de negociações iniciadas no fim de setembro com a mediação de Egito, Catar e Turquia. Segundo autoridades israelenses, 251 pessoas haviam sido sequestradas durante o ataque de 7 de outubro de 2023. Ao todo, 48 continuavam sob poder do grupo, e dessas, 20 foram libertadas vivas.
Trump, que discursou no Parlamento israelense antes da cúpula, classificou o acordo como “um dia histórico, o fim de uma era de mortes e terror”. O premiê israelense Benjamin Netanyahu, embora tenha sido convidado, decidiu não comparecer à reunião, alegando conflito de agenda com um feriado judaico.
“Este é um dia histórico para o Oriente Médio e um triunfo incrível para Israel e para o mundo. Contra todas as probabilidades, fizemos o impossível e trouxemos nossos reféns de volta para casa”, declarou Trump durante o evento.
Estrutura do acordo
O plano de paz prevê a interrupção completa dos bombardeios israelenses, a retirada gradual das tropas da Faixa de Gaza e a criação de um conselho internacional de supervisão para administrar o território durante o período de transição. A Casa Branca informou que o cessar-fogo foi estruturado em fases sucessivas, sendo esta a primeira etapa, voltada à estabilização e à libertação de reféns.
O governo israelense libertou cerca de 2 mil prisioneiros palestinos, incluindo 250 condenados à prisão perpétua, como contrapartida ao acordo. Os detentos foram transferidos pela Cruz Vermelha Internacional para Gaza, Cisjordânia e outros países do Oriente Médio.
Pontos em aberto
Apesar da trégua, questões centrais permanecem indefinidas, como o processo de desarmamento do Hamas, o modelo de governança em Gaza e o papel de forças internacionais na administração do território. O grupo palestino já manifestou resistência à ideia de tutela externa e não confirmou se aceitará entregar suas armas.
Fontes diplomáticas informaram que as negociações de segunda etapa devem ocorrer nas próximas semanas, sob coordenação dos Estados Unidos e do Egito, com foco na reconstrução civil e na normalização política da região.
Antes da cúpula, Trump declarou que “a era do terror no Oriente Médio acabou”, em referência aos ataques e à instabilidade prolongada na região. Em resposta, Netanyahu afirmou que “Israel está comprometido com a paz, mas em condições que garantam sua segurança e soberania”.
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O cessar-fogo encerra um dos períodos mais longos e violentos do conflito, com estimativas de mais de 60 mil mortos em Gaza desde 2023, segundo dados de agências humanitárias. O desafio agora será transformar o acordo em uma paz duradoura, capaz de resistir às tensões políticas e religiosas que historicamente abalam a região.