Ministério da Saúde atualiza protocolo para casos de intoxicação por metanol

Da redação de LexLegal
O Ministério da Saúde publicou uma nota técnica com novas orientações para estados e municípios sobre o atendimento, diagnóstico e notificação de casos de intoxicação por metanol, especialmente após o consumo de bebidas alcoólicas adulteradas. A atualização ocorre em meio ao aumento de ocorrências registradas em várias regiões do país e tem como objetivo padronizar procedimentos e agilizar a resposta dos sistemas de vigilância sanitária.
De acordo com a pasta, o documento estabelece critérios clínicos e laboratoriais revisados para a confirmação de casos e detalha o fluxo de análise de amostras, a distribuição de antídotos e as regras para comunicação imediata aos Centros de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (Cievs). O texto também reforça a obrigatoriedade de registro no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), mesmo após o alerta inicial.
“Mesmo com a notificação imediata, o registro no Sistema de Informação de Agravos de Notificação continua sendo obrigatório”, destacou o ministério em comunicado oficial.
Novos critérios e fluxos de notificação
A nova diretriz define que a confirmação de casos com indicação de tratamento passa a considerar o histórico de ingestão da bebida, o quadro clínico apresentado e os resultados laboratoriais compatíveis. Já os casos suspeitosserão caracterizados pela persistência ou piora dos sintomas entre seis e 72 horas após a ingestão.
Os Cievs estaduais deverão notificar o Cievs Nacional de forma imediata por meio do Disque-Notifica (0800-644-6645) ou pelo sistema e-Notifica, garantindo a comunicação rápida entre as esferas de saúde pública.
Rede laboratorial e CIATox
Segundo o ministério, a definição dos laboratórios responsáveis pelas análises toxicológicas ficará a cargo de cada estado, priorizando os Centros de Informações Toxicológicas (CIATox) e as unidades da Polícia Científica.
Nos locais sem capacidade técnica para realizar os exames, as amostras devem ser encaminhadas ao Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen), que repassará o material ao CIATox-Campinas, centro de referência nacional.
Atualmente, 21 estados já possuem fluxos definidos para análise das amostras. O Brasil conta com 32 CIATox ativos, que atuam na orientação, diagnóstico e manejo clínico de intoxicações químicas. Nos estados que ainda não dispõem dessas unidades, é possível acionar gratuitamente o Disque-Intoxicação da Anvisa (0800 722 6001).
Distribuição de antídotos e insumos
O ministério informou ainda que o país recebeu 2,5 mil unidades do antídoto fomepizol, substância usada no tratamento da intoxicação por metanol. Desse total, 1,5 mil doses já foram distribuídas aos estados, e mil ampolas permanecerão no estoque estratégico federal.
O estado de São Paulo foi o primeiro a receber o medicamento — 288 unidades, em razão do alto número de casos. Outros estados também foram contemplados: Pernambuco (68), Paraná (84), Rio de Janeiro (120), Rio Grande do Sul (80), Mato Grosso do Sul (20), Piauí (24), Espírito Santo (28), Goiás (52), Acre (16), Paraíba (28) e Rondônia (16).
Além disso, 1,4 mil unidades de etanol farmacêutico — utilizado para reduzir a gravidade da intoxicação — foram enviadas a 11 estados, incluindo Bahia, Ceará, Goiás, Distrito Federal, Alagoas e Pernambuco.
Sintomas e orientações à população
O metanol é uma substância tóxica que, quando ingerida, pode causar cegueira, falência de órgãos e até a morte. Ele é utilizado industrialmente como solvente e combustível, mas não é seguro para consumo humano.
O ministério alerta que os sintomas podem demorar de seis a 72 horas para aparecer. Os sinais iniciais incluem sensação prolongada de embriaguez, náusea, vômito, dor abdominal e desconforto gástrico. Em estágios mais graves, surgem cefaleia, tontura, confusão mental e alterações visuais.
“Ao apresentar qualquer um desses sintomas, especialmente alterações visuais após a ingestão de bebida alcoólica, procure imediatamente o serviço de emergência mais próximo”, orienta a nota.
Com a atualização dos protocolos e a ampliação do fornecimento de insumos, o Ministério da Saúde pretende agilizar o diagnóstico, padronizar os fluxos de notificação e ampliar o acesso ao tratamento especializado, reduzindo os impactos da intoxicação por bebidas adulteradas no país.