Brasil registra queda de 61% nos focos de incêndio, mas alerta continua em outubro

Brasil registra queda de 61% nos focos de incêndio, mas alerta continua em outubro
Queimadas caem 61% no Brasil em 2025, mas Amazônia e Cerrado seguem em alerta por causa do clima seco/Agência Brasil
Publicado em 12/10/2025 às 15:00

Da redação de LexLegal

Mesmo diante das altas temperaturas e da baixa umidade do ar que atingem grande parte do país entre setembro e outubro, o Brasil registrou uma queda expressiva de 61% nos focos de incêndio em relação ao ano passado. Dados oficiais indicam que, entre janeiro e outubro de 2024, foram identificados mais de 218 mil focos de queimadas, enquanto no mesmo período deste ano o número caiu para cerca de 85 mil.

A redução, segundo especialistas, está ligada a uma combinação de políticas de prevençãocondições climáticas menos severas e mudança de comportamento entre produtores rurais.

diretora científica do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (IPAM)Ane Alencar, explica que o cenário atual difere do registrado em 2024, quando praticamente todo o país foi afetado por queimadas — muitas delas de origem criminosa.

“Se ano passado o clima ajudou a realmente deixar a paisagem mais inflamável e ajudou na propagação dos incêndios, esse ano o clima também ajudou porque nós tivemos um período que foi mais chuvoso. Nós tivemos um período seco um pouco mais úmido. Por exemplo, na Amazônia, quando em julho já deveria estar bastante seco, teve momentos de chuvas”, afirmou.

Políticas e mudanças de comportamento

Além das condições climáticas, Ane Alencar destaca que o trauma causado pelos grandes incêndios de 2024 influenciou a redução do uso do fogo em atividades agropecuárias.

“Toda vez que a gente tem um ano muito seco ou um problema muito grave, como foi o ano passado, em que nós tivemos incêndios criminosos, mas também muitos acidentes com fogo. Pessoas perderam coisas, produção, gado, cerca, casa, infraestrutura. E isso sempre gera um trauma. No ano seguinte, as pessoas são mais parcimoniosas no uso do fogo.”

Biomas em alerta

Apesar da melhora geral, dois biomas apresentaram aumento nas queimadas: o Pampa, com alta de 72%, e a Caatinga, com 26%. A cientista reforça que o mês de outubro ainda é crítico para o monitoramento de incêndios florestais.

“Nós acabamos de passar o mês que é mais problemático para queimadas e incêndios em geral no Brasil, que é o mês de setembro, mas outubro ainda é o terceiro mês que mais queima no país. Então a gente ainda está em alerta, esperando que essa condição de seca e baixa umidade, que afetam o centro do Brasil, não gere oportunidades para novos incêndios.”

O alerta levou alguns estados a prorrogar a suspensão da queima controlada, prática comum no manejo agrícola. Mato Grosso do Sul e São Paulo decidiram estender a proibição, que abrange desde a queima da palha da cana-de-açúcar até fogueiras destinadas ao controle de pragas.

As medidas fazem parte de uma estratégia preventiva para conter novos focos e proteger os biomas brasileiros — especialmente a Amazônia e o Cerrado, que concentram a maior parte das queimadas no país.


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