Maria Corina Machado vence Nobel da Paz 2025 por luta democrática na Venezuela

Maria Corina Machado vence Nobel da Paz 2025 por luta democrática na Venezuela
Maria Corina Machado, líder da oposição venezuelana, foi reconhecida pelo Comitê Norueguês do Nobel por sua luta pela democracia e pelos direitos humanos na Venezuela/Reprodução Instagram @mariacorinamachado
Publicado em 10/10/2025 às 10:48

Da redação de LexLegal

A líder da oposição venezuelana Maria Corina Machado foi anunciada nesta sexta-feira (10) como a vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2025, em reconhecimento à sua atuação pela restauração da democracia na Venezuela. A escolha foi divulgada pelo Comitê Norueguês do Nobel, que destacou o “trabalho incansável na promoção dos direitos democráticos do povo venezuelano e na luta por uma transição justa e pacífica da ditadura para a democracia”.

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Em comunicado publicado no X (antigo Twitter), o comitê afirmou que o prêmio homenageia “uma mulher que mantém acesa a chama da democracia em meio a uma escuridão crescente”. O presidente do comitê, Jørgen Watne Frydnes, descreveu Machado como um dos “exemplos extraordinários de coragem na América Latina nos últimos tempos” e ressaltou sua importância como figura unificadora da oposição venezuelana.

“É precisamente isso que está no cerne da democracia: a nossa vontade comum de defender os princípios do governo popular, mesmo quando discordamos. Numa época em que a democracia está ameaçada, é mais importante do que nunca defender este terreno comum”, declarou Frydnes.

A premiação ocorre em um contexto de intensa repressão política na Venezuela. Desde agosto de 2024, Maria Corina Machado vive escondida, após sofrer perseguições e ameaças diretas do governo de Nicolás Maduro. Sua situação de segurança tem sido motivo de preocupação internacional. Questionado sobre o tema, Frydnes afirmou que o comitê debate anualmente os riscos enfrentados por laureados em regimes autoritários.

“Essa é uma discussão que temos todos os anos, especialmente quando a pessoa premiada está escondida devido a sérias ameaças à sua vida. Acreditamos que o prêmio apoiará sua causa e não a limitará”, disse.

O presidente do comitê também manifestou esperança de que Machado possa comparecer à cerimônia de entrega do Nobel, em dezembro, em Oslo, embora tenha reconhecido que sua presença depende de questões de segurança ainda delicadas.

Exílio e perseguição política

Maria Corina Machado, engenheira e ex-deputada, é uma das principais vozes da oposição venezuelana e símbolo da resistência civil contra o chavismo. Após as eleições de julho de 2024, ela desapareceu da vida pública, denunciando fraudes e repressão estatal. Em carta publicada pelo Wall Street Journal sob o título “Posso provar que Maduro foi derrotado”, escreveu:

“Estou escrevendo isso escondida, temendo pela minha vida, minha liberdade e a dos meus compatriotas da ditadura liderada por Nicolás Maduro.”

Na mesma carta, Machado afirmou possuir provas de que Maduro não venceu as eleições e classificou como “inconcebível” a hipótese de o governo aceitar o resultado real. Ela relatou as manobras do regime para impedir sua candidatura e desqualificar o substituto escolhido por sua coligação.

“O governo não esperava que as pessoas fossem como uma onda gigantesca e reagissem. Minutos depois que os resultados começaram a chegar, confirmamos que nossa vitória era esmagadora”, escreveu.

Durante os protestos que se seguiram, Machado informou que grande parte de sua equipe passou à clandestinidade. “Posso ser capturada enquanto escrevo estas palavras”, alertou. Em janeiro deste ano, foi vista brevemente em uma manifestação em Caracas, sendo presa por algumas horas e posteriormente libertada.

Símbolo internacional de resistência

Desde 2019, Maria Corina Machado tem denunciado em organismos internacionais as violações de direitos humanos cometidas pelo governo de Nicolás Maduro. Sua trajetória política é marcada por tentativas de destituição, cassação de mandato e restrições de candidatura impostas pelo regime.

O prêmio de 2025 reforça seu papel como símbolo global de resistência democrática. A homenagem, segundo analistas, também recoloca a crise venezuelana no centro da agenda internacional e pressiona o regime chavista por novas negociações políticas.

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O Nobel da Paz tem histórico de reconhecer figuras e movimentos que atuam pela liberdade e pelos direitos humanos em contextos autoritários. A premiação de Machado insere a Venezuela em uma lista que inclui nomes como Nelson MandelaAung San Suu Kyi e Lech Wałęsa, líderes que enfrentaram perseguições semelhantes antes de conquistarem reconhecimento internacional.

A cerimônia de entrega do Prêmio Nobel da Paz 2025 ocorrerá em 10 de dezembro, em Oslo, Noruega, data em que também se comemora o Dia Internacional dos Direitos Humanos.

SÃO PAULO WEATHER