Saques superam depósitos e poupança registra saída líquida de R$ 15 bi em setembro

Saques superam depósitos e poupança registra saída líquida de R$ 15 bi em setembro
Com juros em 15% e inflação acumulada em 5,13%, a poupança registrou saídas líquidas de R$ 15 bilhões em setembro, refletindo a busca dos investidores por aplicações mais rentáveis/Marcello Casal JrAgência Brasil
Publicado em 08/10/2025 às 13:30

Da redação de LexLegal

A tradicional caderneta de poupança voltou a registrar perdas em setembro, com volume de saques superando os depósitos em R$ 15 bilhões, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (8) pelo Banco Central (BC). O movimento reflete a migração de investidores para aplicações com rentabilidade mais alta em um cenário de juros elevados.

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Durante o mês, os brasileiros aplicaram R$ 356,6 bilhões, enquanto retiraram R$ 371,6 bilhões das contas de poupança. Apesar da diferença negativa, os rendimentos creditados somaram R$ 6,4 bilhões, mantendo o saldo total acima de R$ 1 trilhão.

Esse é o terceiro mês consecutivo de resultado negativo e o sétimo de 2025 com saídas líquidas. Apenas em maio e junho houve saldo positivo. No acumulado do ano, a poupança já soma resgates líquidos de R$ 78,5 bilhões, um desempenho que reforça a perda de atratividade da aplicação mais popular do país.

Nos últimos dois anos, o padrão de retirada tem se repetido. Em 2023, o saldo negativo foi de R$ 87,8 bilhões, e em 2024, de R$ 15,5 bilhões. O cenário é explicado, em grande parte, pela manutenção da Selic em níveis elevados, o que torna alternativas como CDBs, Tesouro Direto e fundos de renda fixa mais rentáveis e acessíveis.

Juros altos e impacto nas aplicações

Desde julho, o Comitê de Política Monetária (Copom) interrompeu o ciclo de aumentos iniciado no ano passado, mantendo a taxa Selic em 15% ao ano. A decisão tem como objetivo conter pressões inflacionárias e garantir que a meta de 3% seja atingida até o final de 2025.

Na prática, juros mais altos significam crédito mais caro e maior estímulo à poupança e à renda fixa, uma vez que esses investimentos passam a render mais. A poupança, por sua fórmula de cálculo, segue limitada: rende 70% da Selic + TR (Taxa Referencial) quando a taxa básica está até 8,5% ao ano, e 0,5% ao mês + TR quando a Selic supera esse patamar — como é o caso atual.

Essa diferença faz com que muitos poupadores busquem opções de menor risco, mas com retorno real superior, como títulos públicos ou aplicações atreladas ao CDI.

Inflação e perspectiva econômica

Segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação acumulada em 12 meses até agosto foi de 5,13%, ainda acima da meta. O desafio para o Banco Central é equilibrar o combate à inflação com a manutenção do crescimento econômico.

Para especialistas, o comportamento dos depósitos na poupança é um termômetro do momento financeiro das famílias. Em períodos de inflação alta e juros elevados, o consumo tende a desacelerar, e o investidor de perfil conservador migra para opções mais rentáveis e líquidas.

Um símbolo da cultura financeira brasileira

Criada há mais de 160 anos, a poupança segue como a aplicação mais popular entre os brasileiros, por sua facilidade de acesso e isenção de Imposto de Renda, mas perde espaço à medida que cresce a educação financeira e o uso de plataformas digitais de investimento.

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Mesmo com o recuo recente, a caderneta ainda representa um importante canal de captação de recursos para o crédito imobiliário, especialmente por meio do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), que utiliza parte dos depósitos para financiar habitação.

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