Empresário alvo da Operação Sem Desconto fica em silêncio na CPMI do INSS

Empresário alvo da Operação Sem Desconto fica em silêncio na CPMI do INSS
Empresário Fernando Cavalcanti, alvo da Operação Sem Desconto, ficou em silêncio na CPMI do INSS após decisão do STF/Lula Marques/Agência Brasil
Publicado em 07/10/2025 às 7:30

Da redação de LexLegal

empresário Fernando dos Santos Andrade Cavalcanti, um dos alvos da Operação Sem Desconto, da Polícia Federal (PF) e da Controladoria-Geral da União (CGU), decidiu ficar em silêncio durante a maior parte do seu depoimento à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, nesta segunda-feira (6).

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“O Fernando vai permanecer, a partir de agora, em silêncio. Não vai dizer sim ou não”, afirmou o advogado Thiago Machado, que acompanhava o depoente.

Cavalcanti é ex-sócio do advogado Nelson Willians, um dos principais investigados no esquema de descontos fraudulentos em aposentadorias e pensões do INSS, que envolvia associações de aposentados e supostas doações políticas irregulares. A Operação Sem Desconto investiga um complexo sistema de corrupção e lavagem de dinheiro que teria movimentado milhões de reais em propinas e contribuições fictícias.

A decisão de permanecer em silêncio foi amparada por um habeas corpus concedido pelo ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), que garantiu ao empresário o direito de não responder a perguntas que pudessem incriminá-lo. Antes de se calar, Cavalcanti negou as acusações:

“Nunca fui laranja, atuador ou beneficiário de qualquer esquema. Minha atuação sempre foi de gestor, e os pagamentos recebidos foram compatíveis com minhas funções e com minha vida”, disse.

Acusações e patrimônio

Durante a operação, a PF apreendeu mais de 20 veículos de luxo pertencentes a Cavalcanti — entre eles, uma Ferrari avaliada em R$ 4,5 milhões, uma réplica de carro de Fórmula 1 e diversas motocicletas de alto valor. Segundo o empresário, todos os bens teriam sido adquiridos de forma lícita, alguns ainda financiados.

“Os veículos mencionados são de propriedade da minha empresa, adquiridos de forma lícita, alguns ainda em financiamento, como a tão falada Ferrari, que só termino de pagar em 2027. Aqui em Brasília é comum que carros sejam guardados em estabelecimentos comerciais”, justificou.

Além dos carros, os agentes também apreenderam relógios de luxo e vinhos avaliados em mais de R$ 7 milhões, encontrados em sua residência. O Ministério Público e a PF questionam a origem dos recursos e a evolução patrimonial do empresário, que até 2017 era assessor parlamentar na Assembleia Legislativa de São Paulo, com salário de cerca de R$ 5 mil mensais.

“Em 2017 eu vinha da Assembleia Legislativa e tinha um patrimônio que não chegava a R$ 100 mil. Em 2025, meu patrimônio está no imposto de renda declarado, mas não quero falar aqui”, respondeu Cavalcanti ao relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (União-AL).

Gaspar reagiu ironicamente: “Já vimos movimentações do senhor com Nelson Willians e com Camisotti de milhões de reais. Vou trazer para a CPMI esse exemplo de sucesso que é o senhor.”

Críticas e suspeitas

O presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), afirmou que o depoimento de Cavalcanti reforça as suspeitas de que ele seria “laranja” de um esquema bilionário.

“É impossível que alguém saia de São Paulo ganhando R$ 5 mil por mês e, em poucos anos, tenha um patrimônio de R$ 200 milhões só em carros, além de uma adega de R$ 7 milhões. Está demonstrado pelas quebras de sigilo e movimentações financeiras que ele é parte de um grande esquema”, disse Viana.

Segundo o senador, as investigações apontam para a existência de uma “máfia” infiltrada na Previdência, com ramificações políticas e acesso a órgãos públicos.

“É uma quadrilha que corrompeu servidores e atravessou governos. Fazia doações a campanhas, circulava livremente no Congresso e vivia com a certeza de impunidade. A PF mostra que havia uma estrutura montada para enriquecer às custas dos aposentados”, declarou.

Evolução do esquema

Uma das entidades investigadas na Operação Sem Desconto é a Associação dos Aposentados Mutualistas para Benefícios Coletivos (AMBEC), que seria controlada por aliados de Maurício Camisotti, também investigado. Segundo dados da PF e CGU, as contribuições dos associados cresceram de R$ 135 mil em 2021 para R$ 14,9 milhões em 2022 e R$ 91 milhões em 2023, indicando um aumento explosivo e incompatível com a base de beneficiários.

O senador Carlos Viana aguarda a decisão do ministro André Mendonça (STF) sobre o pedido da CPMI para ouvir Camisotti, que obteve habeas corpus para não depor.

“O Camisotti é peça fundamental para entender como essas engrenagens se conectam nesse roubo da Previdência. Se for necessário, farei nova visita ao STF para pedir a reconsideração da decisão”, afirmou o presidente da CPMI.

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A investigação da Operação Sem Desconto segue em andamento e apura um esquema bilionário de fraudes em descontos de mensalidades de associações em benefícios do INSS, com suspeita de corrupção, lavagem de dinheiro e uso de laranjas para ocultar patrimônio.

SÃO PAULO WEATHER