Rapper Hungria melhora após suspeita de intoxicação por metanol em SP

Rapper Hungria melhora após suspeita de intoxicação por metanol em SP
Rapper Hungria, internado em Brasília após suspeita de intoxicação por metanol, apresenta melhora clínica segundo boletim médico/Hungria/Instagram
Publicado em 04/10/2025 às 15:00

Da redação de LexLegal

O cantor e compositor Hungria, de 34 anos, permanece internado em um hospital particular de Brasília com suspeita de intoxicação por metanol, mas seu quadro clínico apresenta melhora progressiva, segundo informou neste sábado (4) o boletim médico do Hospital DF Star.

De acordo com o comunicado, o artista “tem boa evolução clínica, tendo sido suspensa a hemodiálise”. Apesar da melhora, o hospital informou que ele continuará sob cuidados intensivos, sem previsão de alta.

Hungria deu entrada na unidade hospitalar na quinta-feira (2), apresentando cefaleia intensa, náuseas, vômitos, turvação visual e acidose metabólica, sintomas característicos da exposição ao metanol, substância altamente tóxica quando ingerida.

Possível origem da intoxicação

Um dos médicos que acompanham o tratamento afirmou que o rapper teria consumido bebidas destiladas em uma casa de shows em São Paulo, no último domingo (28). O local foi um dos endereços interditados pelas autoridades paulistas após o início das investigações sobre as intoxicações por metanol em bebidas adulteradas.

Ainda não há confirmação oficial de que o consumo tenha ocorrido no Distrito Federal, que, até o momento, não registrou casos confirmados de contaminação. O hospital informou que o tratamento segue conforme os protocolos de intoxicação aguda por metanol e que a investigação toxicológica continua em andamento.

Manifestação nas redes sociais

Pela primeira vez desde a internação, o artista se pronunciou publicamente na sexta-feira (3). Em uma publicação nas redes sociais, Hungria compartilhou uma foto no leito da UTI ao lado da filha de oito anos, agradeceu o apoio dos fãs e fez um alerta sobre os riscos das bebidas alcoólicas adulteradas.

Natural de Ceilândia (DF), Gustavo Hungria Neves é considerado um dos principais nomes do rap brasileiro. Sua equipe informou que o cantor “segue sob acompanhamento médico e está fora de risco iminente”. Por precaução, os shows previstos para o fim de semana foram cancelados.

Emergência médica e risco de morte

intoxicação por metanol é uma das emergências médicas mais graves relacionadas ao consumo de bebidas falsificadas. A substância, usada de forma irregular em processos industriais e na limpeza de garrafas, é metabolizada no corpo em compostos tóxicos — como formaldeído e ácido fórmico — que podem causar cegueira, falência múltipla de órgãos e morte.

Os sintomas iniciais incluem visão turva, dor de cabeça intensa, náusea, vômito, dor abdominal e sudorese. Em casos mais severos, surgem alterações neurológicas e respiratórias.

Orientações médicas e jurídicas

As autoridades sanitárias e o Ministério da Saúde recomendam que qualquer pessoa com sintomas suspeitos procure atendimento imediato. Também é essencial identificar outras pessoas que tenham consumido a mesma bebida e orientá-las a buscar avaliação médica.

Canais de emergência disponíveis incluem:

  • Disque-Intoxicação (Anvisa): 0800 722 6001
  • CIATox (centros regionais de toxicologia): veja lista em gov.br/saude
  • Centro de Controle de Intoxicações de São Paulo (CCI): (11) 5012-5311 ou 0800-771-3733 (ligação gratuita em todo o país)

Do ponto de vista jurídico, a adulteração de bebidas alcoólicas é crime previsto nos artigos 272 e 273 do Código Penal, com penas que podem chegar a 15 anos de reclusão, além de enquadramento na Lei de Crimes Contra a Saúde Pública. A Anvisa e as polícias civis estaduais têm atuado em conjunto para rastrear a origem das bebidas contaminadas e responsabilizar os fabricantes clandestinos.

rápida notificação dos casos suspeitos às autoridades de saúde é fundamental para que os Centros de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox) orientem médicos sobre o uso de antídotos como etanol farmacêutico e fomepizol, substâncias que bloqueiam o metabolismo do metanol e reduzem o risco de sequelas graves.

Enquanto as investigações avançam, especialistas alertam para o consumo responsável e a compra de bebidas apenas de estabelecimentos confiáveis, verificando lacres, rótulos e procedência.

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