Principal suspeito de fornecer insumos para bebidas adulteradas em SP é detido – casos suspeitos e confirmados passam de 100

Principal suspeito de fornecer insumos para bebidas adulteradas em SP é detido – casos suspeitos e confirmados passam de 100
Polícia apreendeu 20 mil garrafas, rótulos, tampas e selos falsificados em operação contra produção de bebidas adulteradas em São Paulo/Divulgação/Polícia Civil
Publicado em 03/10/2025 às 18:12

Da redação de LexLegal

A Polícia Civil prendeu, nesta sexta-feira (3), um homem apontado como um dos principais fornecedores de materiais usados na produção de bebidas alcoólicas adulteradas no estado de São Paulo. A ação ocorreu na zona norte da capital e resultou na apreensão de milhares de garrafas, rótulos, tampas, caixas e até selos arrecadatórios de IPI da Receita Federal que seriam utilizados em falsificações.

De acordo com o Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), o suspeito mantinha dois imóveis usados como depósitos. No local, policiais encontraram cerca de 20 mil garrafas de uísque, gim e vodca, muitas delas já higienizadas e prontas para receber rótulos e lacres falsos. O material, segundo as investigações, abasteceria estabelecimentos de várias regiões do estado, em especial no interior paulista.

Falsificação em larga escala

As apurações indicam que o esquema envolvia a compra de garrafas originais já utilizadas, que eram lavadas, reabastecidas com líquidos de origem duvidosa e depois seladas com tampas, lacres e rótulos falsificados. O objetivo era simular a aparência de bebidas importadas de alto valor de mercado.

O detido foi autuado por crimes contra a propriedade industrial e contra as relações de consumo, infrações que atingem tanto a segurança dos consumidores quanto o equilíbrio da concorrência no setor.

Uso de metanol em investigação

A polícia também apura se o metanol – álcool altamente tóxico usado na indústria – vinha sendo empregado na higienização das garrafas antes do envase clandestino. Essa é uma das linhas investigativas relacionadas ao recente aumento de casos de intoxicação por metanol no estado.

Fontes ligadas às investigações afirmam que fábricas clandestinas estariam utilizando metanol, ou mesmo etanol adulterado com metanol, para desinfetar os recipientes, prática que pode contaminar diretamente as bebidas.

O Instituto de Criminalística (IC) foi acionado para analisar as amostras apreendidas. Até agora, das dez primeiras garrafas submetidas a exames químicos, duas testaram positivo para presença da substância.

“Os laudos são remetidos para a Polícia Civil, que segue com apurações minuciosas para esclarecer os casos de falsificação de bebidas”, informou a Secretaria de Segurança Pública.

No mesmo dia, uma comerciante de 47 anos foi presa em flagrante no Jardim Rodolfo Pirani, zona leste de São Paulo, por armazenar mais de duas mil garrafas de gin sem documentação fiscal. Segundo a SSP, a mulher apresentou nota fiscal falsa e a carga foi encaminhada para análise no IC. O caso foi registrado no 49º Distrito Policial de São Mateus.

Avanço das intoxicações

A Secretaria Estadual da Saúde atualizou o balanço dos casos suspeitos e confirmados de intoxicação por metanol no estado: já são 102 notificações até esta sexta-feira, sendo 91 em investigação e 11 confirmadas. A capital concentra a maior parte, com 48 em apuração e 8 confirmados. Há registros também na Grande São Paulo e em municípios do interior, como Araçatuba, Ribeirão Preto, Limeira e Jundiaí.

A ingestão de metanol, mesmo em pequenas quantidades, pode causar sintomas como visão turva, vômitos, convulsões, coma e até morte. Por isso, autoridades reforçam a necessidade de a população adquirir bebidas somente em locais de confiança e exigir nota fiscal.

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