Itamaraty condena captura de brasileiros em flotilha interceptada por Israel

Itamaraty condena captura de brasileiros em flotilha interceptada por Israel
A flotilha é composta por barcos e delegações de mais de 40 países, com o duplo objetivo de entregar ajuda humanitária e romper simbolicamente o bloqueio imposto a Gaza/ gazafreedomflotilla/Instagram
Publicado em 03/10/2025 às 13:08

Da redação de LexLegal

Movimento Global à Gaza informou nesta sexta-feira (3) que todas as embarcações da Flotilha Global Sumudforam interceptadas por forças navais israelenses em alto-mar. Ao todo, 461 ativistas de 47 países foram capturados, incluindo 15 brasileiros.

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A última abordagem ocorreu às 4h29 da manhã (horário de Brasília), quando o barco Marinette foi cercado e seus tripulantes levados. Vídeos publicados pelo movimento nas redes sociais mostram o momento em que um navio militar israelense se aproxima a curta distância e a sequência da interceptação.

Entre os brasileiros detidos estão o ativista Thiago de Ávila e Silva Oliveira, a deputada federal Luizianne Lins (PT-CE) e a vereadora de Campinas Mariana Conti (PSOL-SP). Também integram a lista: Bruno Gilga, Lisiane Proença Severo, Magno de Carvalho Costa, Ariadne Catarina Cardoso Teles, Mansur Peixoto, Gabrielle da Silva Tolotti, Mohamad Sami El Kadri, Lucas Farias Gusmão, Nicolas Calabrese, Hassan Massoud, João Aguiar e Miguel de Castro.

Posição do Itamaraty

Ministério das Relações Exteriores divulgou nova nota oficial condenando a “interceptação ilegal e a detenção arbitrária” de todos os integrantes da flotilha, entre eles os brasileiros.

“O governo brasileiro manifesta nos mais fortes termos sua discordância em relação às ações israelenses, realizadas em águas internacionais, contra ativistas pacíficos, dentre os quais 15 cidadãos brasileiros, incluindo uma deputada federal”, afirma o comunicado.

Segundo a chancelaria, o governo de Israel foi formalmente notificado tanto em Tel Aviv quanto em Brasília.

Deportações

Ministério das Relações Internacionais de Israel afirmou que já iniciou processos de deportação. Segundo comunicado divulgado nas redes sociais, quatro italianos foram enviados de volta à Europa, e outros estrangeiros estão em fase de expulsão.

O texto oficial nega a existência de bloqueio à Faixa de Gaza e sustenta que a ajuda humanitária “poderia ter sido transferida por vias pacíficas”.

Defesa jurídica

De acordo com o Movimento Global à Gaza, os ativistas são defendidos pelo Adalah – Centro Jurídico para os Direitos das Minorias Árabes em Israel, organização fundada por palestinos-israelenses e especializada em litígios de direitos humanos.

Segundo o movimento, os detidos foram levados para a prisão de Kesdiot, no deserto do Negev, a cerca de 30 quilômetros da fronteira com o Egito.

As autoridades israelenses ofereceram aos estrangeiros a possibilidade de assinar um “Pedido de Saída Imediata”, que acelera a deportação. Porém, o documento implica reconhecer entrada ilegal em Israel e acarreta proibição de retorno à região por mais de 100 anos. Quem não assinar poderá permanecer preso por até 72 horas.

Juristas que acompanham o caso afirmam que, durante os interrogatórios, dois ministros israelenses, incluindo o da Defesa, Itamar Ben-Gvir, visitaram os ativistas, o que foi interpretado como uma forma de intimidação política.

O movimento informou ainda que alguns detidos iniciaram greve de fome em protesto, prática descrita como “ato de desobediência civil pacífica utilizado historicamente por pessoas em situação de vulnerabilidade”.

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Enquanto isso, uma nova leva de nove barcos da Freedom Flotilla Coalition já deixou portos da Europa em direção à Faixa de Gaza. Ainda não há confirmação se brasileiros participam desta segunda missão.

SÃO PAULO WEATHER