Polícia investiga morte de advogado, fundador do grupo Prerrogativas, como latrocínio

Polícia investiga morte de advogado, fundador do grupo Prerrogativas, como latrocínio
Advogado criminalista Luiz Fernando Pacheco, 51 anos, encontrado morto em Higienópolis; polícia investiga latrocínio com base em imagens de câmeras de segurança/Reprodução OAB-SP
Publicado em 03/10/2025 às 6:09

Da redação de LexLegal

A Polícia Civil de São Paulo investiga a morte do advogado Luiz Fernando Pacheco, 51 anos, sob a principal hipótese de latrocínio — roubo seguido de morte. O criminalista foi encontrado desacordado na madrugada de quarta-feira (1º) em uma rua de Higienópolis, região nobre da capital paulista, após sair de um bar próximo de sua casa.

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Segundo imagens de câmeras de segurança analisadas pelos investigadores, Pacheco aparece caminhando sozinho até parar próximo à esquina das ruas Itambé e Maranhão, perto da Universidade Presbiteriana Mackenzie. O vídeo mostra o momento em que quatro pessoas passam pelo advogado: duas seguem adiante, enquanto outras duas — um homem e uma mulher — voltam e o abordam.

De acordo com as cenas, a dupla tenta tomar o celular de Pacheco, que resiste. O homem agride o advogado com socos, uma cotovelada e um golpe de judô. Ele cai no chão e não reage mais. O casal revira seus bolsos e sai caminhando.

Pouco depois, um carro branco se aproxima, dá marcha a ré e para ao lado da vítima. Um homem desce do veículo, tenta socorrê-lo e chama a Polícia Militar e o SAMU. Segundo a testemunha, Pacheco apresentava convulsões e dificuldade para respirar.

O advogado Ivan Filler Calmanovici, amigo próximo da vítima e que acompanha o caso, afirmou que a investigação segue nessa linha. “A possibilidade mais provável é, de fato, essa, a de latrocínio”, disse.

Circunstâncias da morte

De acordo com boletim de ocorrência, policiais foram acionados por uma testemunha que relatou ter visto o advogado caído, em crise convulsiva. Ele chegou a ser levado a uma unidade de saúde, mas não resistiu.

No momento em que foi encontrado, Pacheco não portava documentos e vestia calça jeans e camisa preta. A Secretaria de Segurança Pública informou que o caso segue em investigação e que exames toxicológicos e outras análises periciais estão em andamento.

Quem era Luiz Fernando Pacheco

Fundador do grupo Prerrogativas, Pacheco atuava há mais de 30 anos como criminalista. Ganhou notoriedade nacional por defender o ex-presidente do PT José Genoino no processo do mensalão. Também exerceu dois mandatos como conselheiro da OAB-SP (2019/2021 e 2022/2024) e presidia a Comissão de Direitos e Prerrogativas da entidade desde 2022.

Além disso, foi vice-presidente do Conselho Deliberativo do IDDD (Instituto de Defesa do Direito de Defesa) e integrou o Conselho Nacional Antidrogas da Presidência da República.

A OAB seccional São Paulo manifestou pesar e decretou luto oficial de três dias em memória de Pacheco. A ordem afirmou que, “ao longo de mais de 30 anos de carreira, o criminalista marcou a advocacia por sua atuação na defesa de direitos da advocacia e de toda a sociedade, sem se intimidar com medidas ou decisões monocráticas dos Tribunais Superiores”.

“Perdemos um amigo ímpar e um guerreiro do bem. A Ordem está em luto e o melhor que faremos é seguir honrando a luta pelo direito de defesa e das prerrogativas da advocacia, causas que ele abraçou com paixão e ética”, disse o presidente da OAB-SP, Leonardo Sica.

Na seccional paulista da ordem, Pacheco também foi membro efetivo da Comissão de Direito Penal e Econômico.

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“Luiz Fernando Pacheco foi um gigante. Pronto para o combate, pronto para defender a advocacia, meu braço direito. Me deu força, apoio e coragem, carregou em seus ombros a missão de presidir a Comissão de Prerrogativas, o coração da Ordem, à qual ele se doou sem reservas e de todo o coração. Agora, comigo na Comissão Nacional de Prerrogativas, nós tínhamos tanto a fazer ainda. Meu querido Pacheco, continuaremos lutando, por você e em sua memória”, afirmou a ex-presidente da OAB-SP, Patricia Vanzolini.

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