Do zero ao cashout: a jornada de construção de uma legaltech e o papel vital dos founders e da venture builder

Priscila de Oliveira Spadinger*

Nos últimos anos, o mercado jurídico vem passando por uma verdadeira revolução. Termos como legaltech, venture builder e seed capital deixaram de ser jargões de inovação para se tornarem práticas concretas na transformação de escritórios, departamentos jurídicos e até mesmo da relação da sociedade com o Direito. Nesse movimento, fica cada vez mais evidente: a construção de uma legaltech de sucesso exige mais do que uma boa ideia. Exige founders resilientes, governança ajustada, estratégia de capital e, sobretudo, boas relações pautadas em lealdade e verdade.
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Hoje, compartilho com orgulho uma reflexão a partir de uma conquista histórica para nós da Aleve LegalTech Ventures: realizamos o primeiro cashout de uma startup criada do zero dentro do nosso portfólio. Em breve, essa notícia será amplamente divulgada na imprensa, mas já adianto que ela carrega consigo lições valiosas sobre como se constrói – e se entrega – uma história de inovação jurídica de sucesso.
O papel insubstituível dos founders
Toda startup nasce de uma fagulha criativa. Mas é na figura dos fundadores que essa fagulha encontra combustível para virar chama. Fundadores de legaltechs precisam reunir não apenas conhecimento técnico ou capacidade de execução, mas principalmente visão, resiliência e coragem para enfrentar os altos e baixos da jornada empreendedora.
Na nossa experiência, aprendemos que founders comprometidos têm três características fundamentais:
- Disciplina para executar – transformar ideias em produto exige método.
- Capacidade de aprender rápido – errar faz parte, mas o aprendizado ágil diferencia quem sobrevive.
- Comprometimento com o propósito – o impacto no ecossistema jurídico precisa ser maior que o desafio individual.
Sem isso, nenhuma venture builder, nenhum investidor e nenhuma estratégia consegue sustentar o crescimento no longo prazo.
A importância de uma venture builder na jornada
O modelo de venture builder, que adotamos na Aleve, vai além do investimento financeiro. Nós colocamos a mão na massa junto com os founders, mapeamos dores do mercado, estruturamos metodologias, construímos produtos e abrimos portas de relacionamento.
No caso dessa primeira LegalTech criada e vendida dentro da Aleve, o caminho foi emblemático:
- O seed capital foi orientado por nós desde a negociação com investidores até a estruturação dos termos contratuais.
- As metodologias ágeis aplicadas em dailies, semanas, quinzenas, que depois se tornaram reuniões mensais de conselho se tornaram momentos cruciais para ajustar estratégias, reavaliar prioridades e dar clareza aos rumos do negócio.
- O acesso a metodologias de governança garantiu que decisões fossem tomadas com responsabilidade, mas sem travar a inovação.
Esse tripé – capital bem orientado, governança ativa e acompanhamento próximo – foi determinante para transformar uma ideia embrionária em uma operação sólida e atraente para o mercado.
Cartas na mesa: lealdade, verdade e boas relações
Se há algo que essa negociação de sucesso nos ensinou, é que a transparência é a base de qualquer resultado duradouro. Durante todo o processo de desenvolvimento da startup, cultivamos relações pautadas pela confiança:
- Founders e investidores sabiam exatamente os desafios e oportunidades de cada fase.
- Decisões difíceis foram tomadas com lealdade e verdade, evitando ruídos que tantas vezes destroem boas ideias.
- As relações foram fortalecidas no dia a dia, dentro e fora da mesa de negociação, criando um ambiente de parceria genuína.
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O resultado foi que, quando chegou o momento de discutir a venda da startup, o processo aconteceu de forma madura, estruturada e saudável para todos os envolvidos.
O marco do primeiro cashout
Concretizar a primeira venda de uma startup criada do zero dentro da Aleve é mais do que uma conquista financeira. É a comprovação de que o modelo de venture building no mercado jurídico funciona, entrega resultados e pode inspirar outros players do ecossistema.
Ainda não podemos abrir todos os detalhes desta operação, mas é possível adiantar:
- Foi uma negociação que respeitou os interesses de fundadores, investidores e da própria Aleve.
- É um marco que legitima nossa atuação no mercado, mostrando que não apenas apoiamos ideias, mas construímos empresas que criam valor real.
- Representa apenas o começo de uma jornada, pois temos várias outras startups em desenvolvimento dentro do portfólio.
Mais que um fechamento, um começo
O primeiro cashout é apenas um capítulo da nossa história. Ele mostra que é possível construir legaltechs sólidas, criar modelos sustentáveis e gerar retornos para todos os envolvidos. Mas, acima de tudo, reforça a crença de que o futuro do Direito passa pela inovação feita a muitas mãos: founders comprometidos, investidores visionários, venture builders engajadas e um ecossistema aberto à transformação.
Como CEO da Aleve LegalTech Ventures, reforço aqui o convite: a inovação jurídica está só começando. Aos profissionais do Direito que enxergam valor na tecnologia, aos investidores que acreditam em impacto real e aos futuros founders que ainda têm ideias na gaveta – a hora de construir é agora.
Em breve, compartilharemos oficialmente essa grande conquista com o mercado. Mas já deixo registrado: esse primeiro cashout é a prova viva de que lealdade, verdade e boas relações constroem pontes muito mais sólidas do que contratos sozinhos jamais poderiam fazer.
Construir uma LegalTech do zero exige mais do que visão: exige coragem, disciplina e confiança mútua. Nossa primeira venda bem-sucedida de uma startup do portfólio é a materialização desse esforço conjunto. Que esse marco inspire outras iniciativas e abra espaço para novos ciclos de inovação no Direito.
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O futuro não se escreve sozinho – e nós estamos prontos para continuar construindo, lado a lado com os founders que ousam transformar o mundo jurídico.
*Priscila de Oliveira Spadinger é CEO da Aleve LegalTech Ventures S/A e colunista do Portal Lex Legal Brasil. Lidera iniciativas de inovação jurídica e acompanha de perto a jornada de dezenas de LegalTechs brasileiras.
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