Netanyahu desafia ONU, rejeita Estado Palestino e promete “terminar o trabalho” em Gaza

Da redação de LexLegal
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, fez um discurso marcado por enfrentamento e isolamento diplomático nesta sexta-feira (26), na 80ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York. Sob vaias, protestos e a retirada da maioria das delegações — entre elas a do Brasil —, o líder israelense afirmou que a guerra contra o Hamas ainda não acabou e prometeu que Israel seguirá bombardeando Gaza até eliminar o grupo.
Leia também: Conversa entre Lula e Trump é confirmada pelo governo
Netanyahu descreveu a resposta israelense ao ataque de 7 de outubro de 2023 como “uma das mais impressionantes recuperações militares da história” e defendeu que o país está lutando “não apenas por sua sobrevivência, mas pelo Ocidente”. “Ainda não terminamos o trabalho. Israel não descansará até destruir o Hamas e trazer de volta todos os reféns”, declarou, dirigindo-se diretamente, em hebraico, às vítimas ainda mantidas em cativeiro.
Rejeição ao Estado Palestino
O premiê endureceu o tom contra países como Reino Unido, França, Canadá e Austrália, que nas últimas semanas anunciaram o reconhecimento formal da Palestina como Estado soberano. Classificou a decisão como “uma marca de vergonha” e acusou os governos de “premiar os terroristas mais brutais do mundo”.
“Israel não permitirá que vocês nos empurrem goela abaixo um Estado terrorista. Minha oposição a um Estado Palestino não é apenas uma política pessoal ou de governo. É a posição do Estado e do povo de Israel”, afirmou.
Netanyahu comparou a proposta de reconhecimento palestino a dar “um Estado à Al-Qaeda a um quilômetro de Nova York após o 11 de setembro”.
Confronto com o Irã e seus aliados
No discurso, o líder israelense acusou Teerã de articular um “eixo de terror” que inclui Hezbollah, Hamas e Houthis, e disse que Israel conseguiu “incapacitar” a maioria dessas forças. Relembrou a guerra direta contra o Irã ocorrida em 2024, que durou 12 dias, descrevendo-a como um divisor de águas:
“Martelamos os Houthis, esmagamos a máquina terrorista do Hamas, paralisamos o Hezbollah, eliminando a maioria de seus líderes e muito de seu arsenal. Mais importante, devastamos o programa nuclear e de mísseis balísticos do Irã”, disse Netanyahu.
Ele afirmou que a ofensiva contou com apoio decisivo do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. “Prometemos impedir o Irã de desenvolver armas nucleares, e cumprimos essa promessa”, declarou, pedindo que as sanções da ONU contra Teerã sejam restabelecidas.
Boicote e protestos internacionais
O discurso de mais de 40 minutos foi marcado pela saída de dezenas de delegações, inclusive a brasileira. Os diplomatas do Brasil exibiram o keffiyeh, lenço tradicional palestino, antes de deixar o plenário em protesto contra os ataques israelenses. No lado de fora da sede da ONU, milhares de manifestantes protestavam contra a ofensiva em Gaza.
As delegações que permaneceram no plenário incluíam Estados Unidos, Reino Unido, França, Noruega e Suíça. Ao longo do discurso, Netanyahu recebeu alguns aplausos, vindos de convidados na plateia.
O conflito em Gaza começou em 7 de outubro de 2023, quando militantes do Hamas invadiram o sul de Israel, matando 1,2 mil pessoas e fazendo centenas de reféns. Desde então, Israel lançou bombardeios e operações terrestres em larga escala, que já resultaram em mais de 65 mil mortes, segundo autoridades palestinas. Hospitais, escolas e infraestrutura civil foram destruídos, enquanto bloqueios dificultam a entrada de alimentos e remédios.
Veja também: Tenda de jornalistas palestinos é bombardeada em Gaza após reunião com brasileiros
Atualmente, 144 dos 193 países da ONU reconhecem oficialmente a Palestina como Estado soberano. O Brasil é um deles desde 1967. Apesar da pressão crescente, Israel insiste em rejeitar qualquer possibilidade de negociação que leve à criação de um Estado Palestino independente.