Ministro do Turismo Celso Sabino deixa governo após pressão do União Brasil

Ministro do Turismo Celso Sabino deixa governo após pressão do União Brasil
Celso Sabino deixa o Ministério do Turismo após decisão do União Brasil de retirar filiados do governo/Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
Publicado em 20/09/2025 às 7:00

Da redação de LexLegal

O ministro do Turismo, Celso Sabino, comunicou nesta sexta-feira (19) ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que deixará o cargo. A decisão foi tomada após novo ultimato da executiva nacional do União Brasil, que determinou prazo de 24 horas para que filiados pedissem exoneração de cargos ou funções comissionadas no governo federal. A medida reforça o afastamento do partido da base de apoio ao Palácio do Planalto.

Em reunião de mais de uma hora no Palácio da Alvorada, Sabino explicou a Lula que sua saída decorre de decisão partidária. Ele informou que pretende cumprir algumas agendas como ministro nos próximos dias e entregar sua carta de demissão na próxima quinta-feira (25), após o retorno do presidente de Nova York, onde participará da Assembleia Geral da ONU.

Deputado federal pelo Pará, Sabino estava à frente da pasta desde julho de 2023 e teve papel central na organização da COP30, conferência da ONU sobre mudanças climáticas que será realizada em Belém. Apesar de tentar negociar sua permanência, não resistiu à pressão da cúpula do União Brasil.

A ordem de retirada de cargos foi anunciada um dia após reportagens apontarem suposta ligação do presidente nacional do União Brasil, Antonio Rueda, com a facção criminosa PCC. Tanto Rueda quanto o partido negam as acusações e chegaram a insinuar que o governo estaria envolvido na divulgação das informações, já que a apuração está a cargo da Polícia Federal.

A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, reagiu de imediato. Em publicação nas redes sociais, repudiou a nota do União Brasil:

“Repudio as acusações infundadas e levianas feitas em nota divulgada hoje pela direção do partido União Brasil. A direção do partido tem todo direito de decidir a saída de seus membros que exercem posições no governo federal. O que não pode é atribuir falsamente ao governo a responsabilidade por publicações que associam dirigente do partido a investigações sobre crimes. Isso não é verdade”, escreveu Gleisi em sua conta no X.

A saída de Celso Sabino deve intensificar a disputa entre União Brasil e Planalto em meio às articulações da base aliada no Congresso e amplia as incertezas sobre a condução da COP30, um dos maiores compromissos internacionais do Brasil nos próximos anos.

SÃO PAULO WEATHER