Tarifaço dos EUA derruba exportações de alimentos industrializados em agosto

Tarifaço dos EUA derruba exportações de alimentos industrializados em agosto
Recuo na bandeira tarifária contribuiu para a menor inflação de outubro desde 1998, segundo o IBGE/Agência Brasil
Publicado em 19/09/2025 às 9:31

Da redação de LexLegal

As exportações brasileiras de alimentos industrializados caíram US$ 300 milhões em agosto, o equivalente a uma retração de 4,8% em relação a julho, segundo balanço da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA). No total, as vendas externas somaram US$ 5,9 bilhões no mês.

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O recuo foi puxado principalmente pelo mercado norte-americano. Os Estados Unidos compraram US$ 332,7 milhões em agosto, uma queda de 27,7% em comparação a julho e de 19,9% em relação a agosto de 2024. O resultado reflete o impacto direto da tarifa de 50% imposta pelo governo dos EUA aos produtos brasileiros e também a antecipação dos embarques em julho, antes da entrada em vigor da taxação.

Entre os produtos mais afetados pelo tarifaço nos EUA estão os açúcares, que tiveram queda de 69,5% em agosto frente a julho, além das proteínas animais (-45,8%) e preparações alimentícias (-37,5%).

“O desempenho das exportações nos dois últimos meses evidencia uma inflexão clara: o crescimento expressivo de julho foi seguido por ajuste em agosto, sobretudo nos EUA, impactados pela nova tarifa, enquanto a China reforçou seu papel como mercado âncora”, afirmou João Dornellas, presidente executivo da ABIA. Para ele, o resultado reforça a necessidade de diversificação de mercados e maior capacidade de negociação internacional.

Redirecionamento de fluxos

Se os EUA reduziram drasticamente as compras, o México surgiu como destaque positivo. O país importou US$ 221,15 milhões em agosto, aumento de 43% em relação ao mês anterior, com predominância de proteínas animais.

“O avanço do México, que coincide com a retração das vendas aos Estados Unidos, indica um possível redirecionamento de fluxos e a abertura de novas rotas comerciais, movimento que ainda requer monitoramento para identificar se terá caráter estrutural ou apenas conjuntural”, avaliou a ABIA.

Segundo a associação, entre agosto e dezembro as exportações de alimentos atingidos pela tarifa norte-americana devem acumular queda de 80%, o que pode gerar perda de US$ 1,351 bilhão.

China ganha espaço

China consolidou-se como maior compradora em agosto, adquirindo US$ 1,32 bilhão em alimentos industrializados, alta de 10,9% em relação a julho e de 51% frente a agosto de 2024. O país asiático respondeu por 22,4% do total exportado no mês.

Já a União Europeia reduziu em 14,8% as compras em agosto na comparação com julho, para US$ 657 milhões. O bloco também apresentou queda de 24,6% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Os países da Liga Árabediminuíram as importações em 5,2%, totalizando US$ 838,4 milhões.

De janeiro a julho, as exportações do setor somaram US$ 36,44 bilhões, leve queda de 0,3% frente ao mesmo período de 2024, afetadas pela menor produção de açúcar durante a entressafra.

Outros setores e empregos

O setor de suco de laranja, que não foi incluído na tarifa norte-americana, registrou alta de 6,8% em relação a agosto de 2024, embora tenha recuado 11% frente a julho, também em razão da antecipação de embarques.

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No mercado de trabalho, a indústria de alimentos empregava em julho 2,114 milhões de trabalhadores formais. No comparativo anual, foram criadas 67,1 mil novas vagas, crescimento de 3,3%. Somente em 2025, já são 39,7 mil novos postos diretos e 159 mil na cadeia produtiva ligada ao setor, incluindo agricultura, pecuária, embalagens, máquinas e equipamentos.

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