Sete em cada dez alunos do ensino médio já usam IA generativa em trabalhos escolares

Sete em cada dez alunos do ensino médio já usam IA generativa em trabalhos escolares
Estudantes do ensino médio usam inteligência artificial para pesquisas escolares, aponta pesquisa TIC Educação/Freepik
Publicado em 18/09/2025 às 16:00

Da redação de LexLegal

O uso de inteligência artificial (IA) generativa por estudantes brasileiros deixou de ser exceção e já faz parte do cotidiano escolar. De acordo com a 15ª edição da pesquisa TIC Educação, divulgada nesta quinta-feira (16) pelo Cetic.br, 70% dos alunos do ensino médio que utilizam a internet recorrem a ferramentas como ChatGPT e Gemini para pesquisas escolares.

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A coordenadora do estudo, Daniela Costa, destacou que esse movimento inaugura novas formas de aprendizagem: “Nesta primeira coleta de dados, 37% dos estudantes de ensino fundamental e médio disseram que se valem dessas ferramentas na busca de informações. Entre os alunos dos anos finais do ensino fundamental, a proporção é de 39% e entre os estudantes do ensino médio, de 70%. O dado evidencia novas práticas de aprendizagem adotadas pelos adolescentes.”

Segundo ela, a popularização dessas ferramentas exige mudanças no papel das escolas e na relação com pais e responsáveis.

“As regras sobre o uso de IA generativa por alunos e professores nas atividades escolares já é pauta de reuniões dos gestores com professores e pais, mães e responsáveis. Regras sobre o uso de celulares nas instituições foram uma das principais pautas desses encontros, mas regras sobre o uso de ferramentas de IA pelos alunos ou pelos professores são citadas por 40% dos gestores.”

Apesar da adesão massiva, apenas 32% dos alunos receberam orientação sobre como usar IA generativa de forma crítica e responsável. Daniela alerta que a ausência de acompanhamento pode levar ao uso superficial dessas tecnologias:

“O principal ponto é que essas práticas de busca de informações baseadas em IA trazem novas demandas para as escolas no que diz respeito a orientar os alunos sobre a integridade da informação, a autoria e sobre como avaliar fontes de informação.”

Celulares e conectividade

O levantamento também mostrou mudanças no uso de celulares após a promulgação da Lei 15.100/2025, que restringe o uso de dispositivos móveis em sala de aula. Entre 2023 e 2024, cresceu o número de escolas que passaram a proibir o celular: de 28% para 39%. Nas escolas particulares, o acesso à internet em sala caiu de 70% em 2020 para 52% em 2024.

Por outro lado, a conectividade avançou significativamente, especialmente em instituições públicas municipais e rurais. Hoje, 96% das escolas brasileiras têm internet, mas ainda há desigualdade no acesso a dispositivos. Apenas 47% das escolas municipais oferecem internet e computadores para os alunos, e nas rurais a presença de computadores caiu de 46% (2022) para 33% (2024).

Formação docente em queda

Outro dado preocupante é a redução da formação de professores em tecnologias digitais. Em 2021, 65% dos docentes haviam participado de cursos na área, número que caiu para 54% em 2024. Entre professores da rede municipal, o índice despencou para 43%.

Para Daniela Costa, a atualização é fundamental: “A inserção de tecnologias emergentes – entre elas a IA – nas práticas pedagógicas exige que os professores sejam preparados para orientar os alunos no uso seguro, crítico, responsável e criativo dessas ferramentas.”

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A TIC Educação ouviu 945 gestores, 864 coordenadores, 1.462 professores e 7.476 estudantes em 1.023 escolas públicas e privadas, tanto rurais quanto urbanas, entre agosto de 2024 e março de 2025. Os resultados estão disponíveis no site oficial da pesquisa.

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