Maioria dos trabalhadores não teme perder emprego nos próximos seis meses, mostra FGV

Maioria dos trabalhadores não teme perder emprego nos próximos seis meses, mostra FGV
Pesquisa da FGV mostra que maioria dos trabalhadores se sente segura no emprego, mesmo com perspectiva de desaceleração da economia/Marcelo Camargo/Agência Brasil
Publicado em 16/09/2025 às 12:01

Da redação de LexLegal

Uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre/FGV) revela que 53,8% dos trabalhadores não veem risco de perder o principal emprego ou fonte de renda nos próximos seis meses. Entre eles, 42,3% consideram improvável e 11,5% muito improvável.

Já para 13,8% dos entrevistados a perda do trabalho é provável, e apenas 2,8% consideram muito provável. Um grupo de 29,7% respondeu que não sabe avaliar a situação.

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Os dados fazem parte da Sondagem do Mercado de Trabalho, realizada pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV).

Segurança no mercado de trabalho

O pesquisador Rodolpho Tobler, responsável pela sondagem, avalia que a percepção positiva é consequência do atual dinamismo do mercado de trabalho. “Com a taxa de desocupação em níveis mínimos em termos históricos, é natural que os trabalhadores se sintam mais seguros na sua ocupação ou em uma realocação caso seja necessário. Esse dinamismo observado nos últimos anos tende a ser favorável para os trabalhadores”, afirmou.

No entanto, ele faz uma ressalva: “Com expectativa de desaceleração da economia brasileira e do mercado de trabalho, é esperado que essa variável não continue nesse patamar baixo por muito tempo”.

Dados do IBGE

Os números mais recentes do IBGE confirmam esse cenário de otimismo: a taxa de desemprego do segundo trimestre ficou em 5,8%, a menor já registrada na série histórica iniciada em 2012. O levantamento também apontou recorde no rendimento médio do trabalhador (R$ 3.477) e no total de empregados com carteira assinada (39 milhões).

Ainda assim, a expectativa de desaceleração decorre da manutenção da taxa Selic em 15% ao ano, maior nível desde 2006. Juros altos encarecem crédito, reduzem investimentos e podem impactar negativamente a geração de emprego e renda.

Diferenças por faixa de renda

A sondagem mostra que quanto maior a renda, maior a sensação de segurança no trabalho:

  • Até 1 salário mínimo: 32,6% acham improvável ou muito improvável perder o emprego;

  • Entre 1 e 3 salários mínimos: 41,3%;

  • Acima de 3 salários mínimos: 62,4%.

O levantamento também investigou satisfação no trabalho e percepção de proteção social. Os resultados indicam que 59,7% se consideram satisfeitos, 15,3% muito satisfeitos, 8% insatisfeitos ou muito insatisfeitos e 17% responderam de forma neutra.

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Quanto à proteção social, 33,5% disseram se sentir muito desprotegidos, 37,7% parcialmente desprotegidos e 28,7% declararam sentir-se protegidos.

A sondagem do Ibre/FGV está em sua terceira edição mensal e ouviu 2 mil pessoas em todo o Brasil.

SÃO PAULO WEATHER